Entre janei­ro e mar­ço, a vida fica mais len­ta. Nos tró­pi­cos, é tem­po de féri­as e Car­na­val e, no mun­do tem­pe­ra­do, os dias fri­os e cur­tos pare­cem ini­bir gran­des fei­tos. Então, todos os anos res­tam aos jor­na­lis­tas gerar notí­ci­as sobre estra­gos de chu­vas ou secas, onde faz calor. A Cali­fór­nia ame­ri­ca­na, o Nor­te da Aus­trá­lia e Argen­ti­na, sul da Chi­na e Bra­sil sem­pre apre­sen­tam cenas for­tes de quei­ma­das e ala­ga­men­tos. Mas tam­bém temos os estra­gos fei­tos pela neve, onde se vive o inver­no. Euro­pa, Esta­dos Uni­dos, Cana­dá, Rús­sia e Chi­na nos brin­dam com ima­gens exó­ti­cas de cam­pos e cida­des com pai­sa­gens géli­das, voos atra­sa­dos e estra­das com enga­ve­ta­men­tos monu­men­tais.

Mas este pri­mei­ro tri­mes­tre foi dife­ren­te, rico em fatos. Os Esta­dos Uni­dos fica­ram com o Gover­no para­li­sa­do por mui­tos dias. A opo­si­ção não acei­tou votar o orça­men­to de Trump, que pre­via a cons­tru­ção do muro na fron­tei­ra com o Méxi­co. Repar­ti­ções públi­cas não abri­ram e até apo­sen­ta­do­ri­as e salá­ri­os fica­ram sus­pen­sos tem­po­ra­ri­a­men­te. Na Ingla­ter­ra, o Par­la­men­to repro­duz a divi­são da soci­e­da­de em tor­no do Bre­xit, e fica evi­den­te que não há como sair da União Euro­peia sem for­tes trau­mas. Na Fran­ça, os “cole­tes ama­re­los” vol­ta­ram às ruas e a polí­cia teve de usar da for­ça para dis­per­sá-los. Na Ale­ma­nha, a então toda pode­ro­sa Pri­mei­ra Minis­tra viu enfra­que­ci­da a sua polí­ti­ca de con­tro­le fis­cal, uma das suas mar­cas de ges­tão. Na Itá­lia, o Gover­no teve de enfren­tar pres­são para fle­xi­bi­li­zar sua polí­ti­ca con­tra migran­tes afri­ca­nos e, no Vati­ca­no, ficou ain­da mais acir­ra­da a dis­pu­ta ide­o­ló­gi­ca entre os defen­so­res das idei­as de Ben­to XVI e de Fran­cis­co.

Na Vene­zu­e­la, a opo­si­ção cri­ou um Gover­no para­le­lo. Trump ame­a­çou inva­di-la para der­ru­bar o podre Gover­no de Madu­ro e Putin rea­giu, envi­an­do dois pri­mei­ros aviões com armas e sol­da­dos. E sem nenhu­ma rea­ção ame­ri­ca­na! Ken­nedy deve estar se revi­ran­do no túmu­lo com o silên­cio ame­ri­ca­no. Há 57 anos, os navi­os rus­sos esta­vam levan­do mís­seis para Cuba, quan­do os obri­gou a vol­ta­rem para casa.

No Bra­sil, a lama da Vale soter­rou vidas, sonhos e silen­ci­ou o dis­cur­so do Esta­do Míni­mo, sem regras. O mas­sa­cre de Suza­no dei­xou dúvi­da quan­to a se deve­mos libe­rar ou res­trin­gir o aces­so a armas, como fez a Nova Zelân­dia, após expe­ri­ên­cia seme­lhan­te vivi­da na mes­ma sema­na. Não sabe­mos como e quan­do tere­mos a neces­sá­ria Refor­ma da Pre­vi­dên­cia e ficou cla­ro que a capa­ci­da­de finan­cei­ra de esta­dos e muni­cí­pi­os de fazer polí­ti­cas públi­cas não mais exis­te. Res­ta, ago­ra, o Gover­no Fede­ral. Mas é pre­ci­so que os polí­ti­cos se enten­dam para que a exce­len­te equi­pe do tam­bém exce­len­te minis­tro Pau­lo Gue­des tenha con­di­ções de colo­car a casa em ordem.

Sou de Juiz de Fora-MG, e tam­bém con­tri­buí­mos para que este tri­mes­tre fos­se movi­men­ta­do. Come­mo­ra­mos o Dia Inter­na­ci­o­nal da Mulher com a esco­lha da nova Miss Bra­sil, a con­ter­râ­nea Júlia Hor­ta, uma miss fora do per­fil tra­di­ci­o­nal! Inte­li­gên­cia e sim­pa­tia são as prin­ci­pais mar­cas dela. Além dis­so, por Juiz de Fora come­çou a bada­la­da e tal­vez últi­ma tur­nê naci­o­nal do Mil­ton Nas­ci­men­to, que mora entre nós.Ele abriu a come­mo­ra­ção dos 90 anos de um dos mais belos tem­plos da cul­tu­ra bra­si­lei­ra, o nos­so len­dá­rio Cine The­a­tro Cen­tral.

Já o minis­tro da Edu­ca­ção, que é um ex-pro­fes­sor da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Juiz de Fora (UFJF), trans­for­mou os car­gos diri­gen­tes do MEC nos mais arris­ca­dos do Bra­sil. Em tre­ze sema­nas ele pro­mo­veu quin­ze demis­sões! Como escre­vo esta crô­ni­ca em 31 de mar­ço, pode ser que este núme­ro cres­ça até que a revis­ta che­gue até você. Cine The­a­tro Cen­tral e Minis­té­rio da Edu­ca­ção me fize­ram lem­brar de dois dig­nos juiz-fora­nos por ado­ção: o ex-pre­si­den­te Ita­mar Fran­co, que o esta­ti­zou para não per­dê-lo, e o tam­bém ex-pro­fes­sor da UFJF e ex-minis­tro do MEC, Murí­lio Hin­gel. Como se diz em Minas, eles são cabe­cei­ras!

Tudo isso, em ape­nas 90 dias.Já no mun­do do lei­te, quem diria, moti­va­mos a pri­mei­ra cri­se no Gover­no, com o fim das medi­das anti­dum­ping. E des­co­bri­mos uma minis­tra da Agri­cul­tu­ra que está com­pro­me­ti­da com o setor. Ela e equi­pe rece­be­ram suges­tões fei­tas por cin­co enti­da­des (CNA, OCB, Abra­lei­te, Viva­lác­te­os e Embra­pa) e sua equi­pe ela­bo­rou a pro­pos­ta de atu­a­ção, que foi apre­sen­ta­da na Câma­ra Seto­ri­al e rati­fi­ca­da por 32 enti­da­des. É impor­tan­te saber que temos cami­nhos deli­ne­a­dos quan­to às polí­ti­cas públi­cas para o setor. No mer­ca­do inter­na­ci­o­nal os pre­ços estão cres­cen­do des­de novem­bro, e isso reduz a pro­pen­são a impor­tar. A tone­la­da da man­tei­ga ultra­pas­sou a bar­rei­ra de US$ 5 mil; o quei­jo ched­dar, a de US$ 4 mil, e o lei­te pó está em mais de US$ 3,3 mil. Além dis­so, o Dólar está valo­ri­za­do fren­te ao Real, enca­re­cen­do as impor­ta­ções. O resul­ta­do é que, em mar­ço, impor­ta­mos menos lei­te e deri­va­dos que em mar­ço de 2018 e 2017. Já os pre­ços ao pro­du­tor estão mais ele­va­dos que nos últi­mos cin­co anos e os cus­tos estão está­veis, de acor­do com o ICPLei­te Embra­pa. Nes­tes pri­mei­ros 90 dias de 2019, o mun­do do lei­te este­ve mais favo­rá­vel que no res­tan­te do mun­do. Que seja assim por mais 275 dias…

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