Em Itanhandu, produtores ganham eficiência em grupo

Programa Sebrae/Educampo aplicado a 30 produtores do município mineiro muda o potencial produtivo do grupo e garante maior produtividade e rentabilidade

Por João Antônio dos Santos

As dificuldades vividas com o dia a dia da atividade leiteira levaram um grupo de 30 produtores de Itanhandu, sul de Minas Gerais, a mudar o modo de encarar a exploração, incorporando novos métodos e soluções no dia a dia da propriedade. A decisão está completando seis anos, tempo que serviu para avalizar de forma positiva os acertos da mudança e trazer de volta motivação, rentabilidade, e imprimir eficiência na lida com o rebanho e com sua produção.

Por traz do novo cenário, o grupo contou com apoio do Programa Edu¬campo, do Sebrae Minas, e do Laticínio Alhambra, empresa responsável pela captação de leite dos produtores envolvidos. Eles têm denominação diferenciada: Grupo Leite da Mantiqueira, e têm chamado a atenção de outros produtores da região interessados na mesma consultoria. Para Ana Maria Scarpa Nilo, produtora de leite, os novos indicadores vieram a partir de soluções aplicadas à gestão do negócio e correções no manejo alimentar e reprodutivo.

“As ações do Educampo foram rápidas e objetivas ao transferir conhecimento técnico para elevar a produtividade na produção de leite e de alimentos para o gado, e ainda auxiliar na gestão econômica da propriedade”, relata Ana. Já o responsável pela consultoria do programa, o engenheiro agrônomo Carlos Augusto Siguinolfi, observa que o plano de trabalho levou em conta as propriedades familiares da região, com média de 250 litros/dia e 8 litros por vaca/dia. “O comum era fornecer pastagem no verão, cana e silagem de milho no inverno, mais concentrado fornecido sem critério”, relata.

Quanto aos produtores do grupo, diz que, devido à silagem com qualidade aquém do desejável, eles forçavam a mão no concentrado, encarecendo muito o custo da alimentação. “O concentrado respondia por mais de 50% desse custo, enquanto a produtividade da silagem girava em torno de 20 t/ha”, diz. No diagnóstico das propriedades do grupo, Siguinolfi constatou que todos os produtores estavam com fluxo de caixa negativo, algo anormal se comparado a outros grupos assistidos pelo Educampo no Estado.

Já no quesito qualidade da matéria-prima, o grupo até que estava bem e recebiam bonificação por isso. A contagem de células somáticas, na média do grupo, era de 300 mil/ml, e a contagem bacteriana, por volta de 30 mil UFC/ml. Ana Scarpa assinala que a citada desmotivação inicial se juntava à resistência a mudanças e à adoção de novas tecnologias. “Alguns precisaram ser convencidos, pois do contrário não aguentariam permanecer na atividade por muito tempo. Foi o que demoliu as resistências”.

Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 631, de maio 2017

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