Fazenda mineira aposta em monitoramento animal para controlar estresse térmico

Com produção de até 10,5 mil litros de leite por dia, Fazenda Barreiro vivia o desafio do conforto animal devido às ondas de calor, mas a tecnologia permitiu a melhora de vários índices zootécnicos

 

Há pouco mais de dois anos, a Fazenda Barreiro, localizada em Ilicínea, Minas Gerais, adotou o sistema de monitoramento para alcançar melhor eficiência, aprimorando os controles de sanidade e reprodução. Com a efetividade da tecnologia e os insights gerados, a propriedade viu no monitoramento animal a possibilidade de também melhorar o conforto térmico das 280 vacas em lactação, e assim foi feito. A partir dos dados disponibilizados pela ferramenta, a fazenda conquistou alterações positivas em diversos índices, como o de ofegação.

O estresse térmico, caracterizado pela incapacidade do animal de dissipar o calor gerado pelo metabolismo e pelas altas temperaturas ambientais, tornou-se um dos principais desafios para a pecuária leiteira brasileira. A elevação da temperatura corporal desencadeia mecanismos compensatórios que desviam a energia da produção. O animal passa a respirar mais rapidamente (aumento da frequência respiratória, o que representa índice maior de ofegação), procura sombra e reduz o consumo de alimentos, o que, por sua vez, leva à menor produção de leite. Além disso, a imunidade é comprometida e a fertilidade é reduzida, elevando os custos veterinários e o descarte involuntário.

Mas a tecnologia é uma grande auxiliar nesse cenário de altas temperaturas, especialmente no verão. Isso porque os colares de monitoramento podem ajudar o produtor a detectar vacas com sintomas de estresse térmico, permitindo a identificação precoce de sinais de desconforto e ofegação e a tomada de ações preventivas ou corretivas. E foi exatamente esse apoio que trouxe resultados positivos para a propriedade mineira.

“Com o uso do SenseHub Dairy, da MSD Saúde Animal, tivemos acesso a dados que nos permitiram entender a necessidade de construir um novo galpão com aspersão e ventilação dimensionadas corretamente. E essa nova estrutura foi adaptada para todos os galpões da fazenda, melhorando índices zootécnicos e reprodutivos, bem como o bem-estar animal”, afirma Beatriz Vilela, proprietária e gerente administrativa da Fazenda Barreiro.

O índice de ofegação na propriedade teve uma redução consistente entre 2024 e 2025, conforme gráfico abaixo, período em que os galpões foram ajustados. “A vaca em conforto reflete positivamente em todo o sistema. Outro ponto forte do monitoramento é a identificação precoce de problemas de sanidade, como mastite e doenças em vacas pós-parto, reduzindo o risco de morte, pois o colar detecta o problema antes que a doença se agrave”, diz Beatriz.

grafico fazenda barreiro portalbaldebranco2026

Sintomas do estresse térmico

A médica-veterinária Thatiane Kievitsbosch, gerente de produtos de Tecnologia da unidade de negócio de Ruminantes da MSD Saúde Animal, explica que o aumento da frequência respiratória é uma alteração que sempre vai ocorrer no animal com estresse térmico devido ao calor. A ofegação, caracterizada por uma frequência respiratória elevada, geralmente acima de 60 movimentos por minuto, é uma das principais mudanças fisiológicas que o animal demonstra na tentativa de perder calor corporal, já que a evaporação pela respiração é um dos principais mecanismos pelo qual o bovino consegue dissipar calor corporal.

“O produtor precisa entender o estresse térmico não como um evento sazonal, mas como um fator permanente de gestão de risco. O investimento em conforto térmico não é um gasto, é uma estratégia de rentabilidade. Com o uso de tecnologia e o manejo correto, é possível manter a produção e a saúde do rebanho, garantindo a sustentabilidade da atividade mesmo diante das mudanças climáticas”, destaca Thatiane.

A profissional ainda detalha que, no controle de temperatura ambiental, o sistema de resfriamento que combina aspersão de água e ventilação e a disposição de áreas de sombreamento nas fazendas podem reduzir significativamente o estresse térmico em bovinos de leite. “No entanto, o uso de colares de monitoramento no gado leiteiro é uma estratégia assertiva e que complementa o manejo, ajudando a detectar sinais de desconforto a partir da medição da frequência respiratória elevada. A associação dessas medidas garante o bem-estar dos animais e o controle eficaz da temperatura.”

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