As pesquisas que buscam identificar as melhores alternativas nutricionais para a alimentação animal em áreas de semiárido seguem avançando no Norte de Minas Gerais. O Projeto Forrageiras para o Semiárido completou mais uma fase de testes em 2025, com resultados preliminares animadores da análise do plantio das forrageiras selecionadas sob pastejo e pisoteio animal.
“Com os resultados obtidos até agora, as espécies Massai, Buffel e Paiaguás se destacaram, apresentando excelente desempenho nas condições do semiárido mineiro. Essas forrageiras demonstraram boa adaptação ao clima e recuperação rápida após o pastejo. Esses resultados reforçam que é possível ter pastagens produtivas e sustentáveis na região, desde que se utilize espécies bem adaptadas e práticas de manejo adequadas”, destacou a responsável técnica do projeto em Montes Claros, Inez Silva.
Iniciado em 2017, o Forrageiras para o Semiárido é realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por meio do Instituto CNA e Embrapa, com o apoio do Sistema Faemg Senar; Sindicato dos Produtores Rurais de Montes Claros e Epamig.
Boas perspectivas
A região do Norte de Minas é a única do estado a receber a pesquisa e contar com as unidades de referência tecnológica para testes e análises de resultados, com foco na bovinocultura. O projeto encerrou a segunda fase em 2025 e se prepara para mais uma rodada de ações e análises em 2026, dando continuidade aos experimentos.
Segundo a assessora técnica do Instituto CNA, Marina Zimmermann, há um ganho de peso diário muito positivo nos animais em análise em Montes Claros que fazem o uso da variedade de capins pesquisados, envolvendo espécies para períodos de seca e para os períodos de chuva.
“Esse ganho de peso fez com que o animal ficasse menos tempo no campo. O que significa que este animal fica menos tempo pastejando, ganha um peso maior nesse período e isso, para o produtor rural, é uma economia. O resultado já virou aí uma realidade, já abriu os olhos dos produtores da região para utilizarem os tipos de capins que foram mais bem avaliados em relação ao ganho de peso e ao custo de implantação”, explicou Marina.
Para o projeto em 2026, a expectativa é organizar os dados em relatórios e em diretrizes para os produtores rurais, mostrando de forma detalhada como que foi feito o projeto, como fazer a implantação das culturas, entre outros. “Nós vamos ter aí um rol de publicações da Embrapa sobre o projeto com os resultados. Além disso, nós estamos prevendo alguns dias de campo para reforçar muito a questão do manejo, ou seja, o que o produtor rural precisa fazer para utilizar de forma mais correta e eficiente os seus capins. A gente está dando um cardápio de forragens para que esse produtor rural seja, cada vez, mais assertivo”, pontuou Marina Zimmermann.
A equipe de trabalho já avalia um novo experimento na UTR de Montes Claros com uma molécula que será aplicada nos capins sem irrigação, ou seja, em sistema de sequeiro. A pesquisa está em fase de desenvolvimento, em parceria com a Universidade de Brasília, a empresa Criotec e do Hub CNA. Os resultados das etapas já realizadas do Forrageiras podem ser consultados pelo site da CNA: https://www.cnabrasil.org.br/projetos-e-programas/forrageiras-para-o-semi%C3%A1rido.
