Gaúchos querem desestimular importação

O governador José Ivo Sartori, do Rrio Grande do Sul, assinou decreto para enfrentar concorrência do leite em pó importado

No último dia 28, o governador José Ivo Sartori oficializou um decreto que vai beneficiar os produtores de leite do Rio Grande do Sul, que enfrentam concorrência do produto em pó importado, principalmente do Uruguai. O anúncio foi feito um dia antes, na Expointer, em Esteio-RS, durante o encontro que manteve com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, e dirigentes de entidades do setor, no Parque de Exposições Assis Brasil.

“O decreto foi construído de forma conjunta com o setor. Estamos fazendo a nossa parte para tentar equalizar a oferta de leite no estado e reverter o cenário atual de estoques altos, o que prejudica o produtor. O Rio Grande do Sul tem a segunda maior bacia leiteira do Brasil e quase a totalidade da cadeia é composta por agricultores familiares, que têm no leite sua única forma de sustento”, afirmou Sartori.

Novo decreto – A medida muda as regras do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias (RICMS), suspendendo por 90 dias o Decreto 53.059/2016, que trata do diferimento para importação de leite para os centros distribuidores. Também não será renovado o Decreto 50.645/2013, válido até o próximo dia 31, que dispõe sobre o diferimento para incentivo à importação de leite para a industrialização.

O secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo, afirmou que o agravamento da situação gera desestímulo do produtor de leite em função da forte queda dos preços. “Diante do impacto social e econômico, a decisão foi pela suspensão do decreto. Como consequência, a importação de lácteos gradativamente cessará, permitindo ao produto nacional assegurar sua competitividade”, explicou.

O Rio Grande do Sul produz 4,6 bilhões de litros de leite por ano. A agricultura familiar responde por 95% da cadeia, instalada em mais de 100 mil propriedades em 467 municípios gaúchos.

Maggi, por sua vez, afirmou que estuda medidas para manter a sustentabilidade do mercado. A retirada do leite da pauta do Mercosul é uma delas. Maggi disse, ainda, que é necessária uma negociação conjunta com Argentina e Uruguai para estabelecer cotas de importação. “A Argentina tem cota. O Uruguai, não tem, o que gera outro problema, a falta de previsibilidade da entrada do leite no mercado”. E reforçou que será organizada, em breve, uma missão ao Uruguai para tratar do assunto.

Durante o encontro na Expointer, entidades do setor leiteiro entregaram ao ministro documento solicitando políticas efetivas de controle de estoque e abastecimento interno pelo governo federal. Para as organizações, é urgente a intervenção do ministério para reduzir a oferta de leite em pó, bem como elevar os valores de enquadramento do produtor na Política de Aquisição.

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