As Ins­tru­ções Nor­ma­ti­vas 76 e 77, em vigor des­de junho pas­sa­do, são a evo­lu­ção da IN 51/2002. As novas INs dão ordem e cla­re­za aos regu­la­men­tos ante­ri­o­res, e irão pro­mo­ver avan­ços mai­o­res e mais rápi­dos para a melho­ria da qua­li­da­de do lei­te bra­si­lei­ro, sem per­der de vis­ta que os indi­ca­do­res esta­be­le­ci­dos nas novas regras não são ain­da os ide­ais, mas os pos­sí­veis na atu­a­li­da­de.

Sur­pre­en­den­te­men­te, alguns pro­du­to­res e algu­mas indús­tri­as, e mes­mo algu­mas orga­ni­za­ções de clas­se têm-se mos­tra­do refra­tá­ri­os àque­las INs, uti­li­zan­do dife­ren­tes argu­men­tos e posi­ci­o­na­men­tos para atra­sar ou impe­dir a entra­da em vigor dos níveis, dos indi­ca­do­res mais bási­cos de qua­li­da­de, que são a con­ta­gem bac­te­ri­a­na total (CBT) e a con­ta­gem de célu­las somá­ti­cas (CCS). E mais, sem pro­mo­ve­rem mei­os de finan­ci­a­men­to e capa­ci­ta­ção para diver­sas boas prá­ti­cas, den­tre elas, o pro­gra­ma “Mais Lei­te Sau­dá­vel”, man­ti­do pela Minis­tra Tere­za Cris­ti­na, com o apoio e a par­ti­ci­pa­ção da mai­or par­te das indús­tri­as.

Quem recla­ma de pre­ços bai­xos, de brus­cas osci­la­ções no mer­ca­do, e acha que não pode haver impor­ta­ções de lei­te deve­ria ser defen­sor da implan­ta­ção das INs 76 e 77, como um pas­so impor­tan­te para o equi­lí­brio do mer­ca­do. Já deve­ria estar defen­den­do padrões máxi­mos de CBT, por exem­plo, de 100 mil UFC/mL e de CCS de 400 mil/mL, sem falar na defe­sa da redu­ção de resí­du­os quí­mi­cos no lei­te. Isso por­que, somen­te com estes níveis, e pro­du­ção a bai­xo cus­to, será pos­sí­vel nos con­si­de­rar­mos com­pe­ti­ti­vos no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal de lác­te­os.

Pro­du­tos lác­te­os bra­si­lei­ros de qua­li­da­de, dis­po­ní­veis tan­to no mer­ca­do inter­no quan­to para expor­ta­ção, pro­mo­ve­rão mais esta­bi­li­da­de para aque­les que pro­du­zem, tra­zen­do sus­ten­ta­bi­li­da­de para toda a cadeia pro­du­ti­va. Cer­ta­men­te outros fato­res devem ser leva­dos em con­si­de­ra­ção, porém a qua­li­da­de da maté­ria-pri­ma é fun­da­men­tal.

Para o setor pro­du­ti­vo, a IN 77 escla­re­ce e ori­en­ta a res­pei­to dos pro­gra­mas de auto­con­tro­le (PAC). Vári­as empre­sas e órgãos públi­cos ofe­re­cem cur­sos e assis­tên­cia para a efe­ti­va implan­ta­ção dos PACs. Estes devem ser enca­ra­dos como inves­ti­men­tos, pois per­mi­tem a pro­du­ção de lác­te­os que aten­dam às exi­gên­ci­as dos con­su­mi­do­res, por pro­du­tos de melhor qua­li­da­de e nutri­ci­o­nal­men­te sau­dá­veis. Ain­da de acor­do com a IN 77, aná­li­ses devem ser rea­li­za­das dia­ri­a­men­te, na recep­ção do lei­te cru, per­mi­tin­do toma­das de deci­são para que medi­das cor­re­ti­vas sejam ado­ta­das. Nes­se sen­ti­do, equi­pa­men­tos para tais aná­li­ses, de fácil manu­seio e de cus­to aces­sí­vel, auto­ma­ti­za­dos, com tec­no­lo­gia digi­tal naci­o­nal, já podem ser com­pra­dos no mer­ca­do, res­sal­van­do que as aná­li­ses devem seguir o Manu­al de Méto­dos Ofi­ci­ais para Aná­li­se de Ali­men­tos de Ori­gem Ani­mal, publi­ca­do pelo MAPA.

Resul­ta­dos na melho­ria da qua­li­da­de do lei­te vão depen­der da toma­da de deci­sões, dos pro­du­to­res aos lati­ci­nis­tas e dis­tri­bui­do­res, pela implan­ta­ção de pro­gra­mas de qua­li­da­de e trei­na­men­tos, para o exer­cí­cio de con­tro­les nos pro­ces­sos e, se neces­sá­rio, para a ado­ção de medi­das cor­re­ti­vas. A melho­ria na qua­li­da­de do lei­te exi­ge que a pro­du­ção de lei­te e lác­te­os “da fazen­da até o con­su­mi­dor” seja pra­ti­ca­da de fato como um pro­ces­so con­tí­nuo, depen­den­te de dife­ren­tes pro­fis­si­o­nais ao lon­go da cadeia pro­du­ti­va e de suas deci­sões diá­ri­as. Por­tan­to, todos per­ma­nen­te­men­te com­pro­me­ti­dos com o obje­ti­vo de garan­tir a entre­ga de pro­du­tos ao elo seguin­te des­ta cadeia com a qua­li­da­de rece­bi­da do elo que o ante­ce­deu, mais o valor agre­ga­do pela sua con­tri­bui­ção. As INs 76 e 77 são o “mapa da mina” para o melhor fun­ci­o­na­men­to des­se pro­ces­so con­tí­nuo.

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