“O cus­to de desen­vol­ver novas tec­no­lo­gi­as e entre­gá-las para a soci­e­da­de é cres­cen­te”

Como via­bi­li­zar a gera­ção de solu­ções ino­va­do­ras para a pro­du­ção de lei­te nos tró­pi­cos, com a cres­cen­te escas­sez de recur­sos públi­cos? E, por cau­sa des­sa situ­a­ção, quais devem ser as pri­o­ri­da­des para a Embra­pa Gado de Lei­te em um futu­ro pró­xi­mo? Em res­pos­ta, na Embra­pa rea­li­za­mos ava­li­a­ções perió­di­cas da cadeia pro­du­ti­va, con­tan­do com a par­ti­ci­pa­ção do setor pro­du­ti­vo, que é con­vi­da­do a opi­nar. Des­sa for­ma, ajus­ta­mos nos­so pla­ne­ja­men­to para que os recur­sos sejam apli­ca­dos na entre­ga de solu­ções.

No final do ano pas­sa­do, con­sul­ta­mos a cadeia pro­du­ti­va do lei­te sobre quais seri­am as pri­o­ri­da­des de pes­qui­sa, via inter­net. Para isso, foi usa­do um ques­ti­o­ná­rio com­pos­to de mais de qua­ren­ta per­gun­tas para esta­be­le­cer o nível de pri­o­ri­da­de (de “alta” a “não é pri­o­ri­tá­rio”) de vári­as ten­dên­ci­as tec­no­ló­gi­cas iden­ti­fi­ca­das pelos nos­sos pes­qui­sa­do­res. A mai­o­ria das qua­se 400 res­pos­tas é da região Sudes­te, espe­ci­al­men­te de Minas Gerais, o mai­or pro­du­tor de lei­te do País, e da região Sul, a que mais cres­ce na pro­du­ção.

Para ilus­trar, os pro­du­to­res de lei­te foram sepa­ra­dos em três fai­xas de pro­du­ção, até 200 litros/dia, entre 200 e 2.000 l/dia e aci­ma dis­so, tota­li­zan­do 129 pro­du­to­res par­ti­ci­pan­tes, dos quais, 33 pro­du­to­res até 200 litros/dia, 68 entre 200 a 2.000 litros/dia e 27 aci­ma de 2.000 litros/dia. Nes­te exem­plo, cons­ta­ta­mos que os pro­du­to­res aci­ma de 200 l/dia têm mai­or pre­o­cu­pa­ção com a Ges­tão de sis­te­mas de pro­du­ção e mer­ca­do, e os de menor pro­du­ção dão mais impor­tân­cia à nutri­ção do reba­nho. Por­tan­to, pre­ci­sa­mos desen­vol­ver solu­ções de modo a aten­der a inte­res­ses diver­sos nes­ta cadeia pro­du­ti­va tão rica em con­tras­tes.

Ao mes­mo tem­po, con­si­de­ra­mos as trans­for­ma­ções da cadeia pro­du­ti­va em lon­go pra­zo, foca­dos na inten­si­fi­ca­ção da pro­du­ção com sus­ten­ta­bi­li­da­de e, cada vez mais, atra­vés da ini­ci­a­ti­va Ide­as for Milk, tra­ta­mos da Pecuá­ria 4.0 e da auto­ma­ção. Estas são tec­no­lo­gi­as que inte­gram equi­pa­men­tos com com­pu­ta­do­res e tele­fo­nes celu­la­res para gerar infor­ma­ções que vão per­mi­tir a toma­da de deci­são com mais con­fi­an­ça e tam­bém con­for­to para os pro­du­to­res. As empre­sas star­tups vin­cu­la­das ao Ide­as for Milk têm obti­do suces­so na apre­sen­ta­ção e ven­da dos seus pro­du­tos ino­va­do­res nas diver­sas fei­ras onde se apre­sen­tam em par­ce­ria com a Embra­pa Gado de Lei­te. Para nós, esse é um exce­len­te indi­ca­dor de que esta­mos na dire­ção cor­re­ta. Mas como pes­qui­sar ges­tão e mer­ca­dos, nutri­ção de vacas, pecuá­ria 4.0, auto­ma­ção? E as vári­as outras linhas de pes­qui­sa?

O cus­to de desen­vol­ver novas tec­no­lo­gi­as e entre­gá-las para a soci­e­da­de é cres­cen­te. Por isso, a Embra­pa está “olhan­do para fora”, inte­res­sa­da em empre­sas dis­pos­tas a gerar tec­no­lo­gi­as ino­va­do­ras em par­ce­ria, com­ple­men­tan­do as com­pe­tên­ci­as das equi­pes de pes­qui­sa­do­res e ana­lis­tas, seus labo­ra­tó­ri­os e suas ins­ta­la­ções. Além dis­so, garan­tin­do mer­ca­do para essas novas tec­no­lo­gi­as, de empre­sas tra­di­ci­o­nais peque­nas ou gran­des, ou de star­tups. É a ‘Ino­va­ção Aber­ta’, em que há cola­bo­ra­ção entre os par­cei­ros des­de o iní­cio do pro­je­to de pes­qui­sa, dife­ren­te­men­te de ensai­os de vali­da­ção ou pres­ta­ção de ser­vi­ços de aná­li­ses. Na ‘Ino­va­ção Aber­ta’, as van­ta­gens de cada par­cei­ro são soma­das e maxi­mi­za­das, e as solu­ções gera­das podem che­gar ao mer­ca­do de modo rápi­do.

Vive­mos uma mudan­ça sig­ni­fi­ca­ti­va no mode­lo de negó­cio da Embra­pa, que con­vi­do as empre­sas a conhe­ce­rem melhor. Com o mode­lo de ‘Ino­va­ção Aber­ta’, estão cri­a­das as con­di­ções para que as empre­sas pri­va­das pas­sem a ser par­cei­ras efe­ti­vas no desen­vol­vi­men­to das solu­ções iden­ti­fi­ca­das como pri­o­ri­tá­ri­as e deman­da­das pelos pro­du­to­res e outros seg­men­tos da cadeia do lei­te, com mais rapi­dez.

Rolar para cima