Lei do Leite entra em vigor no Sul

Desde 27 de dezembro, a Lei do Leite está em vigor em todo o Estado gaúcho. Conforme informações repassadas pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Irrigação, a normativa deve ser publicada ainda nesta primeira quinzena do ano.

A partir de agora, todos os elos da cadeia produtiva do leite passam a ser fiscalizados, desde o produtor até a indústria. A legislação é uma resposta aos frequentes casos de adulteração do leite, constatados no Estado há alguns anos, o que acabou repercutindo de forma negativa na cadeia leiteira.

A lei institui o Programa de Qualidade na Produção, Transporte e Comercialização de Leite no Estado do Rio Grande do Sul, estabelecendo um regramento do setor, com o objetivo de coibir fraudes e adulterações no leite, preservar a saúde pública e ampliar os mercados interno e externo, com benefícios sociais e econômicos para todos os integrantes da cadeia produtiva leiteira, estendendo seus efeitos a todos os estabelecimentos e serviços de inspeção oficial no Estado.

Confira abaixo alguns itens que compõem a Lei do leite gaúcho:

– somente podem fornecer leite para a indústria as propriedades que estiverem cadastradas, com atualizações nos prazos e formas estabelecidos, junto ao Departamento de Defesa Agropecuária (DDA), da Seapi. A ideia é que os produtores atualizem esses dados junto às inspetorias, identificando quais membros da família trabalham com o leite.

– a lei prevê que as propriedades fornecedoras de leite devem estar regularizadas com as obrigações sanitárias estabelecidas pela legislação vigente. Os bovinos com idade superior a seis semanas devem cumprir os programas oficiais de controle e erradicação de tuberculose e brucelose, conforme normas e legislação vigentes.

– o envio de leite cru ao posto de refrigeração ou ao estabelecimento de processamento de leite precisa estar de acordo com os padrões estabelecidos nas normas e na legislação vigentes. Esses parâmetros referidos na lei são os de coleta. O leite não pode estar a mais de 4°C, mas pode ser recolhido até 7°C. Testes devem ser feitos pelo motorista/transportador na propriedade rural.

– o treinamento do transportador é uma das grandes novidades desta legislação. Esses treinamentos devem ser oferecidos pela indústria e comprovados aos órgãos de fiscalização.

– A fiscalização poderá ser feita por fiscais federias, estaduais e municipais. Os fiscais terão um instrumento legal para abordar os caminhões em trânsito, se for necessário, e identificar se está carregando um leite ácido ou fora da temperatura. Para esse trabalho poderá atuar qualquer fiscal. É uma lei estadual, mas pode ser aplicada por fiscais do Ministério da Agricultura, do Estado ou dos municípios.

– documento de trânsito será exigido dos transportadores. Muitos dos transportadores já possuem uma organização quanto ao leite coletado, os produtores e quais testes foram realizados. A Secretaria de Agricultura vai propor um modelo compondo informações necessárias.

– um cadastro de transportadores deverá ficar disponível no site da Secretaria de Agricultura. Só vão poder transportar leite os que estão listados nesse site. A empresa vai ter que informar para o órgão a data da capacitação desse transportador, quando foi o último treinamento dele e qual caminhão ele dirige.

– transportadores precisam ter vínculos com a indústria.

– multas podem ser aplicadas em todos os elos da cadeia. Elas variam de R$ 8,5 mil a R$ 34 mil para os produtores que venham a sofrer alguma punição, e de até R$ 340 mil para a indústria, ou ainda maiores se forem considerados alguns agravantes previstos na lei.

Posts Relacionados

Com abordagem multissensorial, Paraná destaca força queijeira no Mundial do Queijo

Ecossistema de inovação leva 23 queijos para competição e aposta no bicampeonato do Melhor Queijeiro do Brasil, com tecnologia que estampa e cria “movimento” dentro do queijo Entre os dias...

Programação do 4ºMundial do Queijo do Brasil aposta em formação técnica com debates e masterclass

A edição do Mundial do Queijo do Brasil, promovido pela SerTãoBras, promove nos dias 17 e 18 de abril, no Teatro B32, em São Paulo, o Programa Via Láctea, atividade...

Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí (MG) passa a ter autorização para comercialização em todo o território nacional

Por Nathalia Ferreira – Sistema FAEMG São Pedro do Suaçuí, no leste de Minas Gerais, passa por um marco para a valorização da produção regional e para o fortalecimento da...