Leite A2 desponta como alternativa ao leite convencional e agrega valor à produção

preço do leite

Além dos potenciais benefícios à saúde, produção de leite A2 pode ser uma distinção competitiva

 

A oferta e o consumo do leite e de derivados do tipo A2 (A2A2) têm crescido no Brasil nos últimos anos. Mas, afinal, quais são os diferenciais desse leite e os benefícios para consumidores e produtores?

A médica veterinária Mariana Alves Silva, assessora técnica na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), explica que o leite A2 é produzido por vacas que apresentam uma diferenciação genética na proteína beta(β)-caseína, o que pode ser benéfico para pessoas que possuem sensibilidade ao leite comum.

“O leite A2A2 vem sendo bastante difundido pelos seus possíveis benefícios, mas é importante entender qual é a diferença. O leite não muda em relação à lactose e sim na proteína. O leite comum pode conter as variantes A1 e A2, enquanto o leite A2A2 contém apenas a β-caseína A2″, detalha.

As caseínas representam a maior parte da proteína no leite e se dividem em quatro grupos: alfa-caseína 1 e 2, beta-caseína e kappa-caseína. “Durante a digestão a β-caseína A1 libera um peptídeo chamado BCM-7 (beta-casomorfina-7), que, em pessoas sensíveis, pode causar desconfortos gastrointestinais, como sensação de má digestão e estufamento”, informa a veterinária.

Formação do rebanho

A popularização desse tipo de leite pode ser um diferencial competitivo para os produtores, que devem identificar e selecionar as vacas capazes de produzi-lo. Essa identificação é feita por teste genético molecular, normalmente por PCR ou genotipagem de SNP (Polimorfismos de Nucleotídeo Único).

Mariana Silva esclarece que “geneticamente, as vacas podem ser A1A1, A1A2 ou A2A2. Somente vacas A2A2 produzem, exclusivamente, leite A2. O resultado do exame indica claramente se o animal é A1A1, A1A2 ou A2A2”.

A veterinária e pesquisadora da EPAMIG Débora Gomide aponta que os genes para o leite A2 são mais frequentes em vacas de raças zebuínas, como Nelore e Gir. Embora a Empresa não faça distinção entre os leites produzidos, testes já indicaram que nos Campos Experimentais Getúlio Vargas, em Uberaba, e de Leopoldina, grande parte dos animais são A2A2.

Para quem deseja formar um rebanho A2A2, a estratégia mais indicada é testar geneticamente vacas e novilhas e utilizar apenas sêmen de touros A2A2.

“Devem ser priorizadas como matrizes as vacas A2A2 e, para reposição, apenas filhas A2A2. Animais A1A1 podem ser descartados gradualmente ou direcionados para a produção de leite convencional. Seguindo essa estratégia, em duas a três gerações, é possível ter um rebanho predominantemente A2A2”, orienta Mariana Silva.

Fonte: Epamig

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