O ter­mo “Cus­to Bra­sil” é conhe­ci­do, se refe­re ao aumen­to do cus­to final de pro­du­tos bra­si­lei­ros devi­do à nos­sa pre­cá­ria infra­es­tru­tu­ra. Bas­ta recor­dar as filas de cami­nhões car­re­ga­dos de grãos enfren­tan­do ato­lei­ros, asfal­to ruim e horas de espe­ra nos por­tos. Há outra ima­gem, a de pro­du­to­res lamen­tan­do a per­da do lei­te pro­du­zi­do por cau­sa do supri­men­to irre­gu­lar de ener­gia elé­tri­ca nas pro­pri­e­da­des, em pra­ti­ca­men­te todas as regiões do País. É o cus­to Bra­sil pio­ran­do a qua­li­da­de e mui­tas vezes cau­san­do a per­da total do lei­te, deses­ti­mu­lan­do o ingres­so de empre­sá­ri­os na ati­vi­da­de e retar­dan­do a par­ti­ci­pa­ção bra­si­lei­ra no mer­ca­do glo­bal de lác­te­os.

As cen­te­nas de milha­res de pro­pri­e­da­des lei­tei­ras, espa­lha­das por 99% dos muni­cí­pi­os bra­si­lei­ros, vivem um dra­ma: con­tar com ener­gia elé­tri­ca para a orde­nha diá­ria do reba­nho, para o res­fri­a­men­to do lei­te, e tan­tas outras ati­vi­da­des que com­põem a roti­na dos 365 dias por ano de ati­vi­da­de pro­du­ti­va. Não é cer­to que esta ener­gia será entre­gue na pro­pri­e­da­de. O inves­ti­men­to públi­co hoje não é sufi­ci­en­te para ofe­re­cer uma nova situ­a­ção para os pro­du­to­res em cur­to pra­zo. Par­ce­ri­as públi­co-pri­va­das estão ape­nas no iní­cio.

No pas­sa­do, o sis­te­ma elé­tri­co bra­si­lei­ro rece­beu inves­ti­men­tos públi­cos a par­tir de emprés­ti­mos fei­tos no exte­ri­or. Trou­xe ener­gia para boa par­te das regiões Sudes­te, Sul e par­te do Cen­tro-Oes­te. Mas isso foi lá atrás. Déca­das eco­no­mi­ca­men­te per­di­das, asso­ci­a­das à expan­são das áre­as pro­du­ti­vas no Bra­sil Cen­tral e a inves­ti­men­tos públi­cos cada vez meno­res, resul­ta­ram num gran­de des­com­pas­so: temos hoje, de um modo geral, um sis­te­ma inca­paz de aten­der com segu­ran­ça às deman­das de uma popu­la­ção ain­da jovem e urba­na e, ao mes­mo tem­po, aten­der às deman­das cres­cen­tes da nos­sa eco­no­mia, empre­en­de­do­ra por natu­re­za, ávi­da pelas opor­tu­ni­da­des de pro­du­ção que os recur­sos natu­rais des­te gigan­tes­co ter­ri­tó­rio nos ofe­re­cem.

O que fazer, então? A ten­dên­cia é, em vez de depen­der ape­nas das ações de gover­no, bus­car inves­tir em tec­no­lo­gia e em ges­tão do cus­to de pro­du­ção, que inclua este inves­ti­men­to. Qual tec­no­lo­gia esco­lher? Em ana­lo­gia com as eta­pas de desen­vol­vi­men­to indus­tri­al, a quei­ma de qual­quer bio­mas­sa (capim, baga­ço de cana, res­tos de madei­ra etc.), geran­do vapor e ele­tri­ci­da­de, é a “ener­gia 1.0”, e gru­pos gera­do­res, movi­dos a óleo com­bus­tí­vel, pro­du­zem “ener­gia 2.0” (como as usi­nas ter­mo­e­lé­tri­cas).

Para sis­te­mas de pro­du­ção de lei­te em con­fi­na­men­to, a tec­no­lo­gia de pro­du­ção do bio­gás a par­tir do ester­co tem van­ta­gens com­pe­ti­ti­vas, pois reduz odo­res e mos­cas, e gera ener­gia e bio­fer­ti­li­zan­te de exce­len­te qua­li­da­de, a ser uti­li­za­da para a pro­du­ção de volu­mo­so e sila­gem. É “ener­gia 3.0”, moder­na e sus­ten­tá­vel. Mais recen­te­men­te, a gera­ção de ener­gia elé­tri­ca a par­tir da cap­ta­ção do calor do sol, em pla­cas foto­vol­tai­cas cada vez mais efi­ci­en­tes e com cus­to decres­cen­te, ins­ta­la­das na cober­tu­ra dos gal­pões, é a ten­dên­cia mais ino­va­do­ra, “ener­gia 4.0”. Mais alter­na­ti­vas exis­tem, incluin­do a ener­gia dos ven­tos. Inde­pen­den­te­men­te de qual está­gio da “ener­gia”, o impor­tan­te é asse­gu­rar for­mas de regu­la­ri­zar o supri­men­to de ele­tri­ci­da­de, e se pos­sí­vel, lucrar com isso. Afi­nal, é pos­sí­vel pro­du­zir ener­gia em exces­so, ven­den­do à con­ces­si­o­ná­ria local, como a Bal­de Bran­co já repor­tou.

O pla­ne­ja­men­to finan­cei­ro, a esco­lha da linha de finan­ci­a­men­to e a ope­ra­ção do equi­pa­men­to para incluir o inves­ti­men­to em gera­ção de ener­gia na pro­pri­e­da­de podem solu­ci­o­nar o dra­ma atu­al. Assim, o cres­ci­men­to da pro­du­ção lei­tei­ra não fica­rá ame­a­ça­do “por um fio”.

Rolar para cima