No Bra­sil Cen­tral e região Sudes­te, os pre­ços do cere­al foram de esta­bi­li­da­de à que­da em julho. Com o avan­ço da colhei­ta da segun­da safra e aumen­to da dis­po­ni­bi­li­da­de inter­na, hou­ve pres­são de bai­xa sobre as cota­ções, mes­mo com as expor­ta­ções bra­si­lei­ras aque­ci­das

No Sul do País, os pre­ços se mos­tra­ram mais fir­mes, em fun­ção do frio e gea­das, que pre­ju­di­ca­ram o anda­men­to da colhei­ta e con­di­ções das lavou­ras em algu­mas áre­as. Em cur­to pra­zo, a expec­ta­ti­va é de pre­ços mais frou­xos no mer­ca­do inter­no, com a colhei­ta da segun­da safra na reta final e aumen­to da dis­po­ni­bi­li­da­de inter­na.
Em médio pra­zo, se o câm­bio aju­dar, a expec­ta­ti­va é de uma boa movi­men­ta­ção para a expor­ta­ção, o que deve­rá dar sus­ten­ta­ção às cota­ções, prin­ci­pal­men­te a par­tir de agos­to.
No mer­ca­do futu­ro (B3), as cota­ções dos con­tra­tos de milho com ven­ci­men­to em agosto/19 em dian­te regis­tra­ram valo­ri­za­ções mais for­tes ao lon­go de julho, o que cor­ro­bo­ra as expec­ta­ti­vas de alta das cota­ções no mer­ca­do físi­co (vai depen­der do dólar e do com­por­ta­men­to dos pre­ços no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal).
Nos Esta­dos Uni­dos, a pro­du­ção de milho foi revi­sa­da para cima no rela­tó­rio de julho, depois da for­te redu­ção no rela­tó­rio ante­ri­or, de junho. O USDA esti­ma 352,44 milhões de tone­la­das nes­te ciclo (2019/20), fren­te as 347,49 milhões de tone­la­das esti­ma­das em junho. Ape­sar das expec­ta­ti­vas melho­res, o volu­me pre­vis­to é menor que as 366,29 milhões de tone­la­das colhi­das em 2018/2019.

EXPOR­TA­ÇÕES BRA­SI­LEI­RAS AQUE­CI­DAS

Segun­do dados da Secre­tá­ria de Comér­cio Exte­ri­or (Secex), em julho, até a segun­da sema­na, o Bra­sil expor­tou 1,88 milhão de tone­la­das de milho. A média diá­ria embar­ca­da foi de 208,5 mil tone­la­das, uma alta de 189,4% na com­pa­ra­ção com a média diá­ria de junho últi­mo e 291,9% aci­ma do embar­ca­do por dia em julho do ano pas­sa­do.
Com rela­ção ao fatu­ra­men­to diá­rio, este cres­ceu 216,2% na com­pa­ra­ção men­sal e 386,7% na com­pa­ra­ção anu­al. O aumen­to do volu­me e recei­ta com as expor­ta­ções foi puxa­do pela alta de pre­ços do cere­al no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal.
Em julho, o pre­ço médio da tone­la­da de milho expor­ta­da pelo Bra­sil foi de US$ 229,63, fren­te aos US$ 198,75 por tone­la­da expor­ta­da no mês ante­ri­or e US$ 174,92 por tone­la­da expor­ta­da em julho de 2018. Para a tem­po­ra­da 2018/2019, a Com­pa­nhia Naci­o­nal de Abas­te­ci­men­to ( Conab) esti­ma que o País expor­ta­rá 33,5 milhões de tone­la­das de milho, fren­te as 23,8 milhões de tone­la­das embar­ca­das em 2017/2018.
Ou seja, se o câm­bio aju­dar, a expec­ta­ti­va é de uma boa movi­men­ta­ção nes­te segun­do semes­tre para a expor­ta­ção, o que deve­rá man­ter as cota­ções fir­mes, prin­ci­pal­men­te a par­tir de agos­to.

PRES­SÃO DE BAI­XA NO MER­CA­DO DA SOJA-GRÃO E FARE­LO DE SOJA

O dólar recu­an­do em julho e as pre­vi­sões mais favo­rá­veis para o cli­ma em cur­to pra­zo nos Esta­dos Uni­dos tira­ram a sus­ten­ta­ção dos pre­ços da soja-grão e do fare­lo de soja no mer­ca­do bra­si­lei­ro. No caso do fare­lo, segun­do levan­ta­men­to da Scot Con­sul­to­ria, em São Pau­lo, a tone­la­da ficou cota­da, em média, em R$ 1.273,03, sem o fre­te. Hou­ve que­da de 2,0% na com­pa­ra­ção men­sal e fren­te a julho do ano pas­sa­do o insu­mo está cus­tan­do 11,9% menos este ano.
Em cur­to pra­zo, exis­te espa­ço para recu­os nos pre­ços da soja e fare­lo de soja no mer­ca­do bra­si­lei­ro, caso o câm­bio siga mais fra­co (refle­xo dire­to nos pre­ços e expor­ta­ção) e as pre­vi­sões cli­má­ti­cas mais favo­rá­veis se con­fir­mem nos Esta­dos Uni­dos. Para quem não com­prou o fare­lo em abril e maio (melho­res rela­ções de tro­ca), o momen­to é favo­rá­vel.
Em médio pra­zo, ou seja, a par­tir de agosto/setembro, a expec­ta­ti­va de redu­ção da pro­du­ção nor­te-ame­ri­ca­na em 2019/2020 pode vol­tar a dar sus­ten­ta­ção aos pre­ços no mer­ca­do mun­di­al, prin­ci­pal­men­te con­si­de­ran­do a pos­si­bi­li­da­de de a área com a cul­tu­ra cres­cer menos na tem­po­ra­da 2018/2020 no Bra­sil, devi­do às que­das de pre­ços este ano. Vai depen­der do câm­bio e da deman­da mun­di­al.

ENTRE­GAS DE ADU­BOS CRES­CE­RAM NO PRI­MEI­RO BIMES­TRE DE 2019

Segun­do a Asso­ci­a­ção Naci­o­nal para Difu­são de Adu­bos (Anda), em feve­rei­ro des­te ano as entre­gas de fer­ti­li­zan­tes soma­ram 2,22 milhões de tone­la­das ao con­su­mi­dor final no País. Estes são os últi­mos núme­ros divul­ga­dos pela Asso­ci­a­ção. O volu­me aumen­tou 5,1% em rela­ção a igual mês de 2018.
Já no acu­mu­la­do do pri­mei­ro bimes­tre des­te ano, as entre­gas tota­li­za­ram 4,93 milhões de tone­la­das de adu­bos, 8,0% aci­ma do regis­tra­do no mes­mo perío­do do ano pas­sa­do. Lem­bran­do que a deman­da por fer­ti­li­zan­tes nos pri­mei­ros meses é com­pos­ta basi­ca­men­te pelas cul­tu­ras de cana-de-açú­car e segun­da safra de grãos (safra de inver­no) da tem­po­ra­da 2018/2019. Ou seja, seg­men­tos que vinham mais aque­ci­dos e com expec­ta­ti­vas de aumen­to de área seme­a­da, por exem­plo, o milho de segun­da safra.
Para os meses seguin­tes, a expec­ta­ti­va é de que este rit­mo tenha sido menor com­pa­ra­ti­va­men­te com o ano pas­sa­do, em fun­ção das que­das nos pre­ços das prin­ci­pais com­mo­di­ti­es agrí­co­las (prin­ci­pal­men­te a soja) e pio­ra nas rela­ções de tro­ca com os fer­ti­li­zan­tes para os agri­cul­to­res.
Com rela­ção aos pre­ços dos adu­bos, estes estão fir­mes des­de abril, com a deman­da mai­or para o plan­tio da safra bra­si­lei­ra de grãos 2019/2020.

CUS­TOS DE PRO­DU­ÇÃO RECU­A­RAM EM JULHO

O Índi­ce de Cus­to de Pro­du­ção da Pecuá­ria de Lei­te apre­sen­tou ligei­ra que­da (-0,4%) em julho, na com­pa­ra­ção com junho des­te ano. Os pre­ços dos ali­men­tos con­cen­tra­dos pro­tei­cos recu­a­ram, com des­ta­que para o fare­lo de soja, con­tra­ba­lan­ce­an­do os suple­men­tos mine­rais e os fer­ti­li­zan­tes que tive­ram alta nas cota­ções.
Ape­sar do recuo, na com­pa­ra­ção anu­al, os cus­tos da ati­vi­da­de estão 2,1% mai­o­res este ano. Em cur­to pra­zo, a neces­si­da­de da suple­men­ta­ção ani­mal, em fun­ção do défi­cit nas pas­ta­gens, jun­to a uma mai­or movi­men­ta­ção para os embar­ques de milho e os esto­ques enxu­tos para os fare­los, podem pesar nos cus­tos de pro­du­ção da pecuá­ria.

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