Novos substratos no biodigestor geram mais biogás

Pesquisas mostram que a codigestão de substâncias alternativas pode beneficiar a propriedade leiteira com o aumento da produção de bioenergia, biofertilizante, e também com a redução de custos

Luiza Mahia

A produção pecuária leiteira tem exigido cada vez mais energia elétrica para garantir, entre outras coisas, o perfeito funcionamento das salas de ordenha e o adequado resfriamento do leite que será encaminhado para o laticínio. Atualmente, a eletricidade representa um custo elevado para o produtor de leite e, em muitos casos, um problema devido às perdas de transmissão. A utilização da biomassa na atividade agrícola em biodigestores para a produção de biogás diversifica a matriz energética e aponta a possibilidade de adoção de fontes renováveis de energia de forma descentralizada, fortalecendo o desenvolvimento sustentável da pecuária leiteira. Com este objetivo em vista, muitos estudos têm sido realizados e os  resultados são  promissores.

Stela Montoro, administradora e mestre em Agronomia, desenvolveu pesquisa sobre o uso da batata-doce como parte do substrato do biodigestor para gerar biogás e biofertilizante. “Utilizar a batata- doce como matéria- prima para a produção de biogás é uma alternativa que pode incentivar a inserção de tecnologias voltadas ao desenvolvimento de potencialidades regionais, fortalecendo a produção agropecuária no Brasil”, diz ela, que mostrou a viabilidade técnica e econômica do efeito da codigestão desses tubérculos com dejetos de bovinos leiteiros confinados.

Em sua pesquisa para a dissertação de mestrado em Agronomia, no programa Energia na Agricultura, pela Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp (FCAV-Unesp), em Botucatu, ela explica que a batata-doce tem sido objeto de estudos por pesquisadores da Embrapa Clima Temperado na última década em função de seu potencial para a produção de biocombustível, e que variedades da Batata-Doce Industrial (BDI) já estão disponíveis no mercado. São cultivares desenvolvidas com maior potencial de produtividade por hectare e teor de amido. Essas variedades, diferentes da batata-doce de mesa, são disformes e grandes, com produtividade que pode chegar a 65 toneladas por hectare e a mais de 30% de concentração de amido. O tubérculo pode ser mantido no solo por até um ano, e quanto mais tempo ficar sob a terra, maior será o teor do amido, que é a matéria-prima para a produção de fontes de bioenergia.


Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 654 (junho/2019)

Posts Relacionados

Grupo Piracanjuba entra no mercado de queijos finos com aquisição da Básel Lácteos

O Grupo Piracanjuba anuncia a aquisição da Básel Lácteos, indústria especializada em queijos finos, localizada no município de Antônio Carlos, em Minas Gerais, na região da Serra da Mantiqueira. A...

Raça Girolando bate três recordes de registros em 2025

Por mais um ano consecutivo, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando superou seu recorde histórico de registros genealógicos de animais. Foram 113.690 registros efetuados pelos técnicos da entidade,...

Importações de lácteos no Brasil: como Mercosul e acordo com a UE pressionam o produtor de leite

A pressão externa que está moldando o mercado do leite brasileiro O setor leiteiro brasileiro vive um momento desafiador. Após anos de competição intensa entre produtores locais e produtos importados,...