Nutrição de precisão e a sustentabilidade na produção de leite

Vacas leiteiras lucrativas apresentam elevada eficiência de uso dos nutrientes ingeridos, fator que também significa máximo aproveitamento, reduzindo o impacto ambiental


Por Alexandre M. Pedroso, engenheiro agrônomo e consultor técnico da Cargill Nutrição Animal

Dentre as diversas práticas de manejo que uma fazenda leiteira pode adotar para conseguir elevada eficiência alimentar, a nutrição de precisão é uma das que podem produzir efeitos mais significativos. O conceito se baseia na adoção de padrões rígidos de qualidade nas operações de alimentação a fim de evitar desperdícios, tornar mais eficiente a utilização dos nutrientes pelas vacas e contribuir decisivamente para a redução na emissão de poluentes.

A eficiência produtiva de uma vaca leiteira pode ser medida de diversas formas, mas talvez a melhor delas seja a relação entre gasto de energia e produção de leite, uma vez que atender aos requerimentos energéticos de um animal é o principal custo associado ao manejo da alimentação. Via de regra, vacas que produzem mais leite tendem a ser mais eficientes do ponto de vista do uso da energia.

O processo biológico que sustenta o aumento da eficiência produtiva é chamado de efeito de diluição da mantença. A figura 1 mostra o impacto dessa questão, usando como exemplo uma vaca de 650 kg produzindo diferentes quantidades de leite. Independentemente do volume produzido, a energia necessária para a mantença dessa vaca é sempre a mesma, 10,3 Mcal/dia. À medida que aumenta a produção diária de leite, cresce o requerimento de energia para suportar a demanda produtiva, de forma que há redução na proporção de energia total usada para a mantença.

Dessa forma, se produzir 7 kg de leite ao dia, a vaca necessitará de 2,14 Mcal/kg de leite. No entanto, se produzir 29 kg de leite, usará apenas 1,07 Mcal/kg de leite, uma redução de 50% na energia necessária para produzir cada kg de leite. Esse ganho em eficiência energética não significa necessariamente maior eficiência alimentar, uma vez que para produzir mais leite a vaca tem que ingerir muito mais alimento. Ganhos nesse sentido também contribuem para a eficiência geral e geram lucros para as fazendas leiteiras.

A partir do momento em que já se procura utilizar animais mais eficientes, não há outro caminho para continuar melhorando a eficiência produtiva a não ser pelo aperfeiçoamento da eficiência alimentar. Em termos básicos, tal fator nos mostra até que ponto a dieta das vacas está atendendo às suas exigências nutricionais e à sua demanda produtiva. Em termos mais amplos, esse índice nos aponta fatores da dieta, manejo e ambiente que afetam a digestibilidade dos alimentos e os requerimentos de manutenção do animal. É um parâmetro que afeta diretamente o bolso do produtor de leite.

Atualmente, há outra preocupação em relação à energia alimentar, pois, para vacas em lactação, se o alimento ingerido não vira leite, ele se transforma em dejetos. Avaliar a eficiência de conversão dos nutrientes consumidos em produtos comercializáveis pode ser uma ótima ferramenta para saber se o produtor está obtendo um retorno satisfatório do dinheiro investido na alimentação das vacas e se é possível reduzir o volume de esterco produzido na fazenda, o que se torna mais e mais importante a cada dia.

Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 633, de julho 2017

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