Paraná sai na frente e aprova curso pioneiro de Medicina Veterinária no Parque Tecnológico Agroleite

O Conselho Estadual de Educação do Paraná (CEE/PR) aprovou por unanimidade, em caráter excepcional e experimental, a oferta do curso de Bacharelado em Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) no município de Castro.

A solicitação de autorização foi formalizada pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI) junto ao CEE. O Parecer nº 07/2026 foi publicado no Diário Oficial do Estado no fim de fevereiro e autoriza, em caráter excepcional e experimental, a oferta do curso, limitada a três entradas consecutivas.

A iniciativa é considerada inédita no país ao prever, pela primeira vez, a instalação física de um curso de Medicina Veterinária de uma universidade estadual dentro de um ambiente estruturado por uma cooperativa agroindustrial, integrando ensino superior público e setor produtivo em um mesmo espaço.

O projeto reúne a UEPG, a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, a Prefeitura de Castro e o Governo do Estado do Paraná. O curso será implantado no Parque Tecnológico Agroleite, complexo que concentra empresas, centros de pesquisa e iniciativas voltadas à inovação e ao fortalecimento da cadeia agropecuária regional, com forte foco na produção leiteira.

De acordo com o parecer, a efetivação da nova graduação ainda depende da expedição do ato autorizativo pelo Governo do Estado, conforme prevê a legislação vigente. O início das atividades acadêmicas poderá ocorrer após a publicação do decreto oficializando a oferta.

Avanço estratégico para a cadeia do leite

Para o gerente do Parque Tecnológico Agroleite, Gustavo Viganó, a aprovação do curso representa um salto estratégico para a região e para o setor lácteo paranaense. Segundo ele, a criação de um grupo de trabalho envolvendo Prefeitura, universidade e cooperativa foi determinante para estruturar a proposta técnica e institucional. A expectativa é consolidar o Parque como elo entre academia e campo, ampliando a geração de conhecimento aplicado, inovação tecnológica e formação de profissionais alinhados às demandas reais da produção.

A proposta também fortalece o posicionamento de Castro como polo de referência em leite no Brasil, ao unir formação acadêmica, pesquisa científica e vivência prática em um mesmo ecossistema.

Integração entre cooperativismo e ensino

Pelo modelo definido, a UEPG será responsável pelo corpo docente, pela matriz curricular e pela condução pedagógica do curso. Já a Castrolanda disponibilizará a estrutura física do Parque Tecnológico e suas unidades produtivas para aulas práticas e estágios supervisionados, permitindo que os estudantes tenham contato direto com a rotina da produção leiteira desde os primeiros anos da graduação.

O projeto contempla ainda o fortalecimento do Laboratório do Leite da UEPG, que deverá receber aporte de R$ 20 milhões do Governo do Estado. O investimento visa ampliar a capacidade de pesquisa, análise e transferência de tecnologia, consolidando a região como centro de inovação voltado à cadeia leiteira.

Para o secretário da SETI, Aldo Nelson Bona, a proposta simboliza um novo modelo de cooperação institucional. A intenção é estruturar um curso de referência nacional, capaz de contribuir para a modernização dos processos produtivos, geração de empregos, aumento de renda e desenvolvimento regional.

Na avaliação do diretor-executivo da Castrolanda, Seung Lee, a iniciativa demonstra a força do cooperativismo aliado ao ensino superior público. Ele destaca que a união entre produtores, universidade e poder público cria as condições necessárias para implantar um projeto duradouro, com impacto estrutural na formação de profissionais e na competitividade da cadeia do leite.

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