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O lei­te é um dos ali­men­tos mais con­su­mi­dos em todo mun­do, clas­si­fi­ca­do entre os 5 pro­du­tos mais comer­ci­a­li­za­dos, tan­to em volu­me quan­to em valor

Saiba mais sobre os benefícios dos alimentos lácteos

Por Rober­ta Lara — Nutri­ci­o­nis­ta e Pes­qui­sa­do­ra Cola­bo­ra­do­ra do Labo­ra­tó­rio de Genô­mi­ca Nutri­ci­o­nal (LAB­GEN) da UNI­CAMP 

 

Apro­xi­ma­da­men­te 116,5 kg de lei­te são con­su­mi­dos por cada habi­tan­te, uma quan­ti­da­de que aumen­ta 1,2% ao ano. No Bra­sil, a indús­tria de lati­cí­ni­os é o segun­do seg­men­to mais impor­tan­te da indús­tria ali­men­tí­cia.

Além da impor­tân­cia econô­mi­ca para a popu­la­ção mun­di­al, o lei­te tam­bém é uma fon­te de nutri­en­tes res­sal­ta­da por estu­dos na lite­ra­tu­ra cien­tí­fi­ca. Um ali­men­to com­ple­xo que con­tém altas con­cen­tra­ções de macro e micro­nu­tri­en­tes, o lei­te é clas­si­fi­ca­do como uma fon­te de pro­teí­na de alta qua­li­da­de e for­ne­ce con­tri­bui­ção sig­ni­fi­ca­ti­va de cál­cio, mag­né­sio, selê­nio, ribo­fla­vi­na, vita­mi­na B12 e áci­do pan­to­tê­ni­co.
 
Con­si­de­ra­da uma das prin­ci­pais fon­tes de cál­cio, reco­men­da­ções die­té­ti­cas indi­cam o con­su­mo de pelo menos 3 por­ções de lati­cí­ni­os por dia, incluin­do o lei­te ori­gi­nal. Para exem­pli­fi­car o teor des­te nutri­en­te, des­ta­ca-se que em 1 copo de 200 ml de lei­te é pos­sí­vel obter 250 mg de cál­cio, o que repre­sen­ta apro­xi­ma­da­men­te 25% do valor total diá­rio reco­men­da­do para um adul­to sau­dá­vel.
Lei­te e os efei­tos para saú­de huma­na
Um dos prin­ci­pais bene­fí­ci­os atri­buí­dos ao con­su­mo regu­lar de lei­te e deri­va­dos é em rela­ção ao meta­bo­lis­mo ósseo. Há evi­dên­ci­as de que a inges­tão ade­qua­da de cál­cio e pro­teí­na na die­ta é essen­ci­al para atin­gir o pico de mas­sa óssea duran­te o cres­ci­men­to, em cri­an­ças e ado­les­cen­tes, e para pre­ve­nir a per­da óssea em ido­sos no pro­ces­so de enve­lhe­ci­men­to.
 
Os efei­tos bené­fi­cos do con­su­mo de pro­du­tos lác­te­os e sua efi­cá­cia na mas­sa mine­ral óssea duran­te o cres­ci­men­to em cri­an­ças são supor­ta­dos por meta-aná­li­ses de nume­ro­sos estu­dos clí­ni­cos. O mai­or ensaio clí­ni­co ran­do­mi­za­do (RCT), rea­li­za­do por Du e cola­bo­ra­do­res (2004) com pro­du­tos lác­te­os, encon­trou ganhos sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te mai­o­res em altu­ra, peso cor­po­ral e con­teú­do mine­ral ósseo em meni­nas com 10 anos em ida­de esco­lar, que rece­be­ram lei­te em dias leti­vos por perío­do de 2 anos.
 
Outros bene­fí­ci­os podem ser explo­ra­dos em rela­ção ao con­su­mo regu­lar de lei­te e deri­va­dos. As pro­teí­nas lác­te­as podem aju­dar no aumen­to da saci­e­da­de e esti­mu­lar os meca­nis­mos regu­la­do­res da inges­tão de ali­men­tos conhe­ci­dos por sina­li­zar as vias de fome e saci­e­da­de. Assim, é pos­sí­vel com­pre­en­der que seu con­su­mo, jun­to a um pla­ne­ja­men­to die­té­ti­co equi­li­bra­do e um esti­lo de vida sau­dá­vel, pode favo­re­cer a regu­la­ção do peso cor­po­ral.
 
Con­su­mo de lei­te e a qua­li­da­de do sono
Ali­men­tos pro­tei­cos como pro­du­tos lác­te­os, são as prin­ci­pais fon­tes do ami­noá­ci­do indu­tor do sono, o trip­to­fa­no. Segun­do um estu­do recen­te, publi­ca­do em abril de 2020 (Mus­co­giu­ri e cola­bo­ra­do­res), que mos­trou reco­men­da­ções nutri­ci­o­nais em perío­do de qua­ren­te­na, o con­su­mo de lác­te­os no fim do dia pode aju­dar a indu­zir o sono e con­tri­buir com a regu­la­ção da saci­e­da­de. Esse meca­nis­mo se dá por con­ta do teor de trip­to­fa­no, envol­vi­do na sín­te­se de sero­to­ni­na e mela­to­ni­na, ambos favo­re­cen­do o equi­lí­brio e a qua­li­da­de do sono. 
 
O recen­te estu­do ain­da des­ta­cou que os pep­tí­de­os bio­a­ti­vos pre­sen­tes nos ali­men­tos lác­te­os podem aumen­tar a ati­vi­da­de das célu­las natu­ral kil­ler e redu­zir o ris­co de infec­ções res­pi­ra­tó­ri­as, de acor­do com as ava­li­a­ções dos auto­res.
 
Além de todas essas van­ta­gens nutri­ci­o­nais, res­sal­ta-se que o lei­te é um dos pro­du­tos mais ver­sá­teis da agroin­dús­tria de ali­men­tos. Pode ser con­su­mi­do na sua for­ma ori­gi­nal, e tam­bém trans­for­ma­do em diver­sos tipos de deri­va­dos, incluin­do suas ver­sões zero lac­to­se que são indi­ca­das para o car­dá­pio de pes­so­as com into­le­rân­cia ao açú­car pre­sen­te na bebi­da.
 
 
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