SP: Produtor não é obrigado a marcar a fogo as fêmeas vacinadas

Flávia Tonin*

O governo do Estado de São Paulo lançou quarta-feira, dia 28 de fevereiro, o programa “Uma nova marca para o agro de SP”. O programa é voltado ao bem-estar animal que contempla ações em eventos como também uma alternativa de identificação com boton no lugar da polêmica marcação a fogo na face nas fêmeas vacinadas contra brucelose.

Nesse primeiro momento, a mudança não é obrigatória, já que o pecuarista paulista pode decidir qual tipo de identificação prefere usar e a expectativa é que a iniciativa inspire outros estados a dar opção ao produtor rural.

Como funciona?
Ao invés de fazer a marcação a fogo na face do animal, o técnico poderá optar por colocar um boton específico na orelha do animal, que consiste em um brinco pequeno redondo.

53558399001 72b8fc32a1 cExistem cores específicas como amarela e azul para as diferentes vacinas (B19 e RB51) e no caso de animais positivos, a identificação será vermelha.

A normativa trará ainda especificação sobre a qualidade do brinco, dimensões e que seja inviolável. O bóton leva ainda o desenho do mapa do estado de São Paulo; sigla SP, além do V ou do número referente ao ano de vacinação. Em caso de perda, o boton deve ser recolocado por profissional credenciado.

“Somos o primeiro Estado do Brasil a dar a alternativa de escolha ao pecuarista não marcar o gado. Para aqueles que optarem pelo novo modelo, o manejo será mais adequado, gerando menos estresse e facilitando a vida dos veterinários. Quanto melhor o produtor tratar o animal, mais lucrativa será a sua atividade.”, afirma o afirmou o Secretário de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo, Guilherme Piai.

Homenageado no evento o professor Mateus Paranhos do Grupo Etco da Unesp de Jaboticabal ressaltou a importância da iniciativa para o bem-estar animal, já que pesquisas comprovam que a face é a região com mais terminações nervosas.

Ele lembrou também que “a iniciativa deixa de ser uma ação pontual de produtores para se tornar um programa de Estado em benefício do bem-estar animal”. A pecuarista Carmen Perez defensora da redução da marca a fogo, também homenageada, acredita que “ o mais importante é a opção de escolha que é dada ao produtor”.

—>> Confira na edição de março uma matéria completa com a cobertura da Balde Branco

Eventos

Segundo aspecto do programa de bem-estar animal apresentado foi uma legislação específica no Estado para eventos.

Os fiscais federais sentiam falta de regramento e legislações de bem-estar animal para as atividades reguladas pela defesa agropecuária, como eventos como rodeios, leilões etc. Esse pacote vem trazer algumas inovações como como também, procedimentos para serem aplicados nos eventos de concentração animal.

“Bem-estar animal significa segurança jurídica, garantindo um documento que comprova boas práticas, valorizando a pecuária paulista e abrindo novos mercados internacionais, cada vez mais restritivos”, analisa o secretário Piai.

Queijo paulista: um marco para os produtores

Durante a cerimônia, a Defesa Agropecuária também anunciou um marco no âmbito dos produtores artesanais registrados no Serviço de Inspeção (SISP).

Foram oficializados 70 registros, 35 apenas no último ano, consolidando São Paulo como o segundo Estado com o maior número de estabelecimentos artesanais registrados pelo SISP, com expectativa de assumir a primeira posição em alguns meses.

A expectativa é de reestruturação do serviço para aumentar ainda mais a eficiência frente à demanda de registros de produtos artesanais, somando também, produtos de origem vegetal, como bebidas, azeites, compotas e doces.

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