UFV inaugura Centro de Excelência para impulsionar pesquisa em fertilizantes e nutrição de plantas

Batizado de Hub Fosfatados-MG, o novo centro conecta pesquisadores, universidades e setor privado para fortalecer a pesquisa em nutrição vegetal e integrar o Plano Nacional de Fertilizantes, que busca reduzir a dependência brasileira de insumos importados

Um Hub funciona como um ponto central de conexão para facilitar interações estratégicas. Essa é a premissa do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas em Minas Gerais, inaugurado oficialmente na sede do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

O Hub Fosfatados-MG, como também é denominado, conecta pesquisadores, instituições de ensino e o setor privado, articulando recursos para fortalecer a pesquisa em nutrição vegetal. Ao todo, nove unidades de produção e pesquisa serão distribuídas pelo país, formando um ecossistema de inovação integrado ao Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), cujo objetivo principal é reduzir a dependência brasileira às importações. A unidade mineira foi a primeira a ser inaugurada e será a única sediada no estado.

A relevância do projeto reuniu, no campus Viçosa, assessores e representantes da Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), das secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Agricultura de Minas Gerais, além da Secretaria de Estado de Agricultura do Rio de Janeiro. Também estiveram presentes membros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e de diversas indústrias do setor.

Protagonismo e Infraestrutura

Durante a cerimônia, o reitor da UFV, Demetrius David da Silva, ressaltou a importância histórica da instituição em pesquisas sobre fertilidade do solo e o empenho do Departamento de Solos em contribuir para o agronegócio nacional. Ele destacou que a Universidade esteve à frente dos debates sobre a necessidade de desenvolver insumos eficientes a partir de matérias-primas nacionais.

Para sediar o Hub, a Universidade disponibilizou uma área de 174 metros quadrados, além de laboratórios já dedicados à Ciência do Solo. O investimento na obra foi de aproximadamente R$ 435 mil. O evento contou ainda com a participação da vice-reitora Rejane Nascentes, pró-reitores, diretores de centros e professores de diversos departamentos.

A busca pela independência na produção de insumos

Embora o Brasil tivesse um vasto portfólio de pesquisas na área, muitas tecnologias não chegavam ao estágio industrial. O Hub surge como a “ponte” necessária para a inovação, reunindo governo e iniciativa privada para reduzir os riscos tecnológicos e financeiros dos investimentos. Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa e representante do Mapa, explica que o sucesso da agricultura brasileira ainda é vulnerável, pois a imensa maioria dos insumos básicos é importada de países, como China, Ucrânia e Rússia. Conflitos geopolíticos nessas regiões já afetam a produtividade e elevam os custos de produção, impactando o preço final dos alimentos.

“O Brasil é o maior importador do mundo. Nós nos acomodamos com essa situação por mais de 40 anos, até que a crise atual despertou a urgência do PNF. O objetivo é reduzir pela metade a demanda externa, fortalecendo o mercado interno e garantindo segurança ao produtor”, afirmou Polidoro.

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A dependência de importação é particularmente crítica no caso dos fertilizantes fosfatados — tema central da unidade sediada na UFV, sob coordenação do professor Edson Mattiello. “Já buscamos alternativas para o aproveitamento eficiente das reservas brasileiras, especialmente as mineiras. Queremos fomentar a criação de indústrias locais e gerar produtos mais adaptados aos solos tropicais, com melhores resultados e custos reduzidos”, pontuou Mattiello ( ao centro da foto).

Segundo Lucas Mendes, subsecretário estadual de Desenvolvimento Econômico, o setor agrícola de Minas Gerais já superou a mineração na balança comercial de exportação. “A autonomia na cadeia de suprimentos é fundamental para sustentar esse crescimento. O Hub é uma oportunidade para consolidar a tecnologia nacional e atrair empresas baseadas em inovação para o estado”.

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