Megaleite inicia atividades projetando avanços para a pecuária leiteira brasileira

 A tradicional exposição reúne lideranças políticas, produtores e empresas em Uberaba (MG), reforça a defesa do produtor nacional diante das importações e apresenta iniciativas voltadas à sucessão familiar, inovação e fortalecimento do setor

Da redação

A MegaLeite 2026, considerada o maior encontro da pecuária leiteira da América Latina, teve início terça-feira (2 de junho), em Uberaba (MG), reunindo produtores, técnicos, lideranças setoriais, autoridades políticas e representantes do agronegócio de todo o país. Promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Girolando), o evento deste ano adota o slogan “Aqui tem leite”, reforçando o protagonismo da atividade leiteira brasileira e sua importância econômica, social e tecnológica para o país.

A cerimônia oficial de abertura foi marcada por discursos que combinaram otimismo em relação ao futuro da atividade com alertas sobre os desafios enfrentados pelos produtores, especialmente diante do aumento das importações de lácteos. O encontro também serviu para destacar avanços em genética, sucessão familiar, inovação tecnológica e fortalecimento institucional do setor.

Representando o Sistema Faemg Senar, o presidente Antônio de Salvo ressaltou a importância da união entre produtores, entidades e lideranças políticas para garantir a competitividade da cadeia produtiva do leite. Segundo ele, a pecuária leiteira vive um momento de celebração, mas também exige mobilização permanente para enfrentar desafios estruturais e de mercado.

“Este é um momento de celebração para a nossa pecuária leiteira. O Sistema Faemg Senar está representando centenas de sindicatos e milhares de produtores mineiros para passar uma mensagem clara de otimismo e perspectivas para o futuro. Estamos alinhados com as associações do setor e com altas expectativas. É fundamental que as lideranças políticas entendam a força e a relevância do nosso setor para o Brasil”, afirmou.

Durante a solenidade, o presidente da Girolando, Alexandre Lacerda, destacou os avanços conquistados pela pecuária leiteira nacional, especialmente na área de melhoramento genético, mas aproveitou a ocasião para defender medidas de proteção ao produtor brasileiro diante da crescente entrada de leite importado de países vizinhos.

Em um dos momentos mais contundentes da abertura, Lacerda criticou o que classificou como concorrência desleal causada pelas importações provenientes, principalmente, da Argentina e do Uruguai.

“Precisamos falar também sobre os desafios. Nos últimos anos, acompanhamos a entrada predatória de leite importado, especialmente da Argentina e do Uruguai. Não estamos falando de concorrência justa, mas de produtos que entram no mercado brasileiro em condições que sufocam o nosso produtor. Não podemos admitir que se prestigie o produtor estrangeiro em detrimento do nacional. Contamos com o apoio de todas as autoridades aqui presentes para que a justiça seja feita no território brasileiro”, declarou.

A abertura também contou com a presença de importantes lideranças políticas nacionais, entre elas os pré-candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, além de parlamentares, representantes de governos estaduais e autoridades ligadas ao agronegócio.

MegaLeite movimenta negócios e atrai atenção internacional

Além de seu papel institucional, a MegaLeite se consolida como uma das principais vitrines tecnológicas e comerciais da pecuária leiteira mundial. Nesta edição, mais de 100 empresas expositoras apresentam soluções voltadas à produção de leite, abrangendo áreas como genética, nutrição animal, sanidade, equipamentos, gestão e tecnologia.

A feira também desperta interesse internacional. Delegações da América Latina, Ásia e África participam do evento em busca da genética desenvolvida no Brasil, especialmente da raça Girolando, reconhecida internacionalmente pela adaptação aos sistemas produtivos tropicais.

A expectativa é de intensa movimentação comercial ao longo da programação, impulsionada pela realização de 12 leilões de animais de alto valor genético.

Nas pistas de julgamento, cerca de 1.400 animais participam das competições, representando raças como Girolando, Gir Leiteiro, Holandês, Guzerá, Guzolando, Sindi e Búfalos. Os animais serão avaliados em torneios leiteiros e julgamentos morfológicos, atividades que tradicionalmente atraem criadores de diversas regiões do país.

Sucessão familiar e protagonismo feminino ganham espaço

Entre as novidades desta edição estão os projetos Girolando Mulher e Girolando Jovem, iniciativas voltadas ao fortalecimento da participação feminina e à formação das novas gerações na atividade leiteira.

O programa voltado aos jovens produtores abordará temas ligados à inovação e às novas tecnologias, incluindo debates sobre o uso da Inteligência Artificial no agronegócio. A proposta é estimular o interesse dos sucessores rurais pela atividade e contribuir para a permanência das novas gerações no campo.

O evento também oferece atrações voltadas às famílias, como o Clubinho Girolando, espaço destinado ao público infantil, reforçando a importância da integração familiar dentro da cadeia produtiva.

Outro destaque é o Festival do Queijo, promovido entre os dias 4 e 6 de junho pelo Sistema Faemg Senar em parceria com o Sebrae Minas. A iniciativa valoriza a produção artesanal e industrial de derivados lácteos, fortalecendo a conexão entre a produção primária e os consumidores.

Debate técnico aborda mercado, genética e comércio internacional

Paralelamente à abertura da feira, a programação da terça-feira incluiu a realização conjunta da 49ª Reunião da Comissão Técnica de Pecuária de Leite do Sistema Faemg Senar e da 47ª Câmara Técnica Setorial de Bovinocultura de Leite da CEPA/Seapa.

O encontro reuniu representantes do setor para discutir temas estratégicos relacionados ao presente e ao futuro da cadeia leiteira.

Durante os debates, Antônio de Salvo reforçou a necessidade de organização institucional dos produtores para enfrentar os desafios econômicos e regulatórios do setor.

“O Sistema Faemg Senar e a CNA são as casas dos produtores rurais. Nós estamos aqui para trabalhar por vocês e levar a voz do campo para onde for necessário, seja em Minas Gerais ou em Brasília. O nosso setor é altamente competitivo, mas, para superarmos as dificuldades e as pressões de mercado, precisamos de união e de organização sólida”, destacou.

A reunião foi conduzida pelo presidente da Comissão Nacional do Leite da CNA, Jônadan Ma, que apresentou uma avaliação positiva dos debates realizados. Entre os temas discutidos estiveram os programas de melhoramento genético, a questão do dumping nas importações, os possíveis impactos do acordo entre União Europeia e Mercosul e as oportunidades relacionadas ao mercado futuro de leite.

Jônadan também comemorou a renovação, por parte do Governo de Minas Gerais, do decreto estadual que mantém a cobrança de ICMS sobre leite em pó importado e queijo muçarela importado, medida considerada importante para a defesa da competitividade do produto nacional.

“Foram assuntos que vêm fortalecer e dar uma nova dimensão para o mercado lácteo. Também ficamos muito felizes com a notícia de que o Governo de Minas Gerais mais uma vez se posicionou ao lado do produtor e do agronegócio com a renovação do decreto estadual do ICMS para o leite em pó importado e o queijo muçarela. Estamos juntos sempre nessa luta para ajudar o nosso produtor brasileiro e o produtor mineiro”, afirmou.

Programação segue com foco em gestão e sucessão rural

A programação técnica da MegaLeite continua nos próximos dias com uma série de palestras, painéis e encontros voltados à gestão da atividade leiteira.

Ainda nesta terça-feira (2), às 18h, o estande do Sistema Faemg Senar recebe a live “Mercado de Leite em Transformação: Você está preparado?”, que discutirá tendências econômicas e perspectivas para os produtores.

Na quarta-feira (3), às 10h, a Sala Uberaba sediará uma palestra promovida pela Stonex sobre a aplicação prática do mercado futuro, ferramenta considerada cada vez mais importante para a gestão de riscos da atividade.

As atividades serão encerradas às 14h com o Encontro de Jovens do Leite, realizado na Sala Minas Gerais. Coordenado pela Comissão Técnica de Jovens, o evento terá como foco a sucessão rural e contará com o painel “Produzir leite é um bom negócio?”, apresentado por Jônadan Ma.

Com uma programação que reúne negócios, genética, tecnologia, capacitação e representatividade política, a MegaLeite 2026 reforça sua posição como o principal palco da pecuária leiteira latino-americana e como espaço estratégico para discutir os rumos de uma das cadeias mais importantes do agronegócio brasileiro.

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