Lácteos entre importações e exportações

Nos últimos sete anos, as importações de lácteos cresceram 117%; as exportações reduziram 5%, a produção aumentou 16% e a disponibilidade de leite expandiu 10,5%

No período de 2010 a 2016, o crescimento da produção nacional de leite deverá ter sido de 16%, se confirmado o volume de 35,66 bilhões de litros, do ano passado. O aumento da população brasileira, nesse período, foi de 7,8%. Durante o mesmo período, as importações de lácteos cresceram 117% e as exportações reduziram 5%. Enquanto isso, a disponibilidade de leite para os brasileiros cresceu 10,5%, isto é, houve um aumento da disponibilidade per capita do produto.

Todos esses dados estão detalhados na tabela 1. O que se nota é que nos últimos anos o Brasil aumentou o volume das importações em decorrência dos baixos preços no mercado internacional. As compras de lácteos de outros países mais do que dobraram: de 113,12 mil t (2010) para 245,28 mil t (2016).

De fato, os números mostram um crescimento do consumo per capita, já que em seis anos a disponibilidade aumentou em 10,5% (passou de 161 litros per capita/ano em 2010 para 178 litros em 2016). Mas o brasileiro ainda consome pouco leite. São apenas 178 litros por habitante/ano, quando a OMS-Organização Mundial da Saúde recomenda 220 litros. No entanto, o País demonstra grande potencial de crescimento.

A balança comercial, em 2015, fechou com saldo negativo de 60 mil t, o que correspondeu a US$ 100 milhões. Em 2016, o déficit subiu para 190 mil t, o que significou US$ 490 milhões. O saldo da balança comercial de lácteos está representado na figura 1, onde se observa que o País precisa reverter a condição de grande importador.

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Importações favorecidas pelo câmbio
As importações de produtos lácteos em 2016 aumentaram 79% (cerca de 108 mil t) quando comparadas às de 2015. Ocorreu crescimento das compras de quase todos os lácteos, exceto o leite modificado para a alimentação infantil e o doce de leite, como se observa na tabela 2. Em janeiro de 2017, o saldo da balança continuou negativo, ou seja, foram importadas 19 mil t, com valor de US$ 58 milhões, e exportadas 4 mil t, somando US$ 11 milhões.

Comparando as compras no mercado internacional de janeiro de 2017 em relação às de janeiro de 2016, as importações passaram de 8,4 mil t para 19 mil t. O principal fator para esse aumento foi a queda do dólar, que compensou o aumento dos preços internacionais e a redução da disponibilidade no mercado interno.

O volume dos produtos importados está representado na figura 2. Observa-se que 65% foi em leite em pó; 17,6%, em queijos, e 11,6%, em soro de leite em pó. As compras foram realizadas principalmente no Uruguai, com 51% do total adquirido, e na Argentina, com 39%. Nosso principal fornecedor vendeu 2,1 mil t de leite UHT, 99,6 mil t de leite em pó, 267 mil kg de iogurte e 3,3 mil t de manteiga. Da Argentina vieram 22,4 mil t de soro de leite em pó, 21,7 mil t de queijo e 623 mil kg de doce de leite. Os Estados Unidos nos forneceram 1,6 mil t de leite modificado para a alimentação infantil.

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Os fornecedores de produtos lácteos para o Brasil, em janeiro de 2017, continuaram sendo os mesmos, ou seja, 44% dos produtos foram uruguaios e 44% foram argentinos.

Por outro lado, o volume de lácteos exportados, de 86,0 mil t em 2014, reduziu para 76,8 mil t em 2015 e para 55,1 mil t em 2016, o que representou 28% a menos no último ano. O Brasil vendeu, no ano passado, para 50 países, mas o principal comprador foi a Venezuela, que ficou com 31,5% dos produtos brasileiros.

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Outros três importantes compradores foram a Arábia Saudita, com 13,6% de todas as vendas; Angola, com 9,4%, e os Estados Unidos, com 8,2% dos lácteos. Na cesta de compras da Venezuela, havia principalmente o leite em pó e o leite UHT. A maior venda do soro de leite em pó foi para o Haiti. A Colômbia importou 1,7 mil t de leite modificado para a alimentação infantil e o Chile comprou 844 mil kg de queijo em 2016.

Em janeiro de 2017 as exportações brasileiras foram de leite em pó para a Arábia Saudita, e de leite UHT e leite em pó, para os Emirados Árabes. Exportamos também 98 mil kg de queijos para a Rússia. A Colômbia continuou sendo a principal compradora de leite em pó modificado para a alimentação infantil.

O valor do dólar mais baixo estimula as importações, como aconteceu em janeiro de 2017, mas a expectativa é de que ao longo do ano as importações sejam menores que as do ano passado, e que a produção nacional volte a crescer e atenda à demanda interna.

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