Braquiárias pecuária brasileira e a base da produção animal
Braquiárias pecuária brasileira representam um dos pilares da competitividade da bovinocultura nacional. Adaptadas às condições tropicais, essas forrageiras ocupam milhões de hectares e sustentam sistemas de produção de carne e leite em diferentes regiões do país. Entre as cultivares de maior impacto estão o capim-marandu e a BRS Piatã, desenvolvidas e validadas pela Embrapa ao longo de décadas de pesquisa.
A presença das braquiárias em solos brasileiros começou há mais de 40 anos, com resultados que transformaram a ocupação produtiva do Cerrado e ampliaram a eficiência da pecuária nacional.
Capim-marandu revolucionou o Cerrado brasileiro
Introduzido no Brasil a partir de material genético oriundo do Zimbábue, o capim-marandu, também conhecido como braquiarão, é uma cultivar de Brachiaria brizantha que se adaptou de forma consistente aos solos tropicais. Avaliado em diferentes estados, como São Paulo, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o material foi incorporado aos programas de melhoramento da Embrapa nas unidades de Campo Grande (MS) e Planaltina (DF).
O nome Marandu, de origem tupi-guarani, significa “novidade”, definição que se confirmou na prática. A cultivar apresentou resistência à cigarrinha-das-pastagens, bom valor forrageiro, alta produção de massa verde e excelente viabilidade de sementes, características que impulsionaram sua adoção em larga escala.
Desempenho produtivo e versatilidade do marandu
Em solos de média a boa fertilidade e sob manejo adequado, o capim-marandu pode alcançar ganhos de até 480 quilos de peso vivo por hectare ao ano, com lotação superior a duas unidades animais por hectare durante o período chuvoso. O material é indicado para pastejo contínuo, rotacionado ou diferido, atendendo bovinos, ovinos e caprinos.
Segundo a pesquisadora aposentada da Embrapa, Cacilda do Valle, o legado do marandu está diretamente ligado à abertura do Brasil Central para a pecuária. Ensaios conduzidos pela Embrapa Gado de Corte demonstram que pastagens bem manejadas permanecem produtivas por longos períodos, sustentando rebanhos experimentais até os dias atuais.
Braquiárias e a evolução da pesquisa forrageira
Décadas após o lançamento do marandu, outra cultivar ganhou destaque no cenário nacional: a BRS Piatã. Também pertencente à espécie Brachiaria brizantha, o nome Piatã significa “fortaleza”, referência à sua robustez e produtividade. A cultivar se diferencia por maior adaptação a solos mal drenados e maior acúmulo de folhas em comparação ao marandu.
A BRS Piatã passou por 16 anos de avaliações em diferentes regiões do país antes de ser disponibilizada ao mercado. O trabalho envolveu a Embrapa e parceiros, consolidando um modelo de validação técnica alinhado às demandas dos produtores rurais.
Sistemas integrados ampliam o uso da BRS Piatã
Com o avanço dos sistemas integrados de produção, a BRS Piatã mostrou elevada aptidão para consórcios com culturas como milho, sorgo e estilosantes. Seu crescimento mais lento e a resposta eficiente à dessecação favorecem o manejo agrícola-pecuário, especialmente em áreas de integração lavoura-pecuária.
A cultivar foi a primeira forrageira protegida da Embrapa e se destaca como uma das principais soluções tecnológicas da Unidade de Campo Grande, conforme o Balanço Social da Empresa, ano-base 2024.
Impacto econômico e social das braquiárias
Atualmente, a BRS Piatã é adotada em aproximadamente 8,2 milhões de hectares no Brasil. O retorno social estimado aos cofres públicos é de R$ 8,62 para cada real investido, enquanto o impacto econômico ultrapassa R$ 1,5 bilhão. Esses números reforçam a importância das braquiárias pecuária brasileira tanto para a sustentabilidade produtiva quanto para a competitividade do setor.
A consolidação dessas forrageiras confirma o papel estratégico da pesquisa agropecuária no desenvolvimento da bovinocultura de corte e leite, especialmente em ambientes tropicais.
Embrapa Gado de Corte e meio século de inovação
Em 2025, a Embrapa Gado de Corte completa 50 anos de atuação. Ao longo dessas décadas, soluções como o desenvolvimento de braquiárias adaptadas, manejo de pastagens e controle estratégico de parasitas contribuíram para estruturar a pecuária brasileira em bases técnicas sólidas, ampliando produtividade e eficiência nos sistemas de produção animal.
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