Desconforto térmico indica queda na produção de leite durante a primavera gaúcha

Elevada umidade relativa do ar e grandes amplitudes térmicas registradas durante a primavera indicam possível queda na produção de leite do Rio Grande do Sul, pelo desconforto térmico causado aos animais. Também houve prejuízos advindos dos eventos climáticos extremos ocorridos na estação.

Estes são os resultados das análises de dados publicadas no Comunicado Agrometeorológico 63 – Especial Biometeorológico Primavera 2023, editado pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi).

O Comunicado analisa as condições meteorológicas ocorridas no período, como precipitação pluvial, temperatura e umidade do ar. Utilizando o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), a publicação documenta e identifica as faixas de conforto/desconforto térmico às quais os animais foram submetidos, estimando os efeitos na produção de leite. Além disso, apresenta mapas com a espacialização dos ITUs médio e máximo, com estimativa da queda de produção de leite em oito níveis, que vão de cinco a 40 quilos por dia.

O trimestre avaliado registrou temperaturas médias do ar elevadas, alta umidade do ar e grandes amplitudes térmicas entre as temperaturas absolutas do ar máximas e mínimas, principalmente nos meses de setembro e novembro.

“A primavera propiciou a ocorrência de situação de estresse térmico, levando à estimativa de queda de produção de leite nas dez regiões ecoclimáticas do Estado avaliadas. Os eventos climáticos extremos ocorridos durante a estação também trouxeram consequências à produção leiteira”, analisa a pesquisadora Adriana Kroef Tarouco, uma das autoras do Comunicado.

As regiões Serra do Sudeste e Grandes Lagos tiveram os maiores períodos em conforto térmico. Já o Vale do Uruguai e Baixo Vale do Uruguai registraram períodos mais elevados de estresse térmico aos animais durante a primavera. Os municípios de Itaqui e São Borja (Baixo Vale do Uruguai) e Porto Vera Cruz (Vale do Uruguai) são os locais onde se registrou maior situação de estresse térmico no mês de novembro.

A publicação é uma iniciativa do Grupo de Estudos em Biometeorologia, constituído por pesquisadores e bolsistas das áreas da Agrometeorologia e Produção Animal.

O Comunicado Agrometeorológico Especial – Biometeorológico tem publicação trimestral e está disponível na seção de Agrometeorologia da Seapi: www.agricultura.rs.gov.br/agrometeorologia.

Fonte: Secretaria de Agricultura do RS

Posts Relacionados

Mapa encontra fábrica de ração animal sem registro e falhas sanitárias em Santa Catarina

Estabelecimento localizado em Blumenau produzia e comercializava produtos para alimentação animal sem registro federal e apresentava falhas sanitárias e de controle...

Endividamento rural: antes de escolher o remédio, é preciso compreender a crise

Quem vive do campo sabe que uma dívida nem sempre deixa de ser paga por falta de organização. A atividade rural está exposta a fatores que muitas vezes escapam ao...

Produção de leite cresce no RS, mas importações pressionam pequenas indústrias

A produção de leite no Rio Grande do Sul cresceu cerca de 2,38% em 2025 na comparação com 2024, mas as importações ainda representam aproximadamente 8% do mercado, segundo a...