Mosca-dos-estábulos exige atenção redobrada no verão
Mosca-dos-estábulos é um dos principais desafios sanitários enfrentados pela pecuária brasileira durante os períodos de calor e alta umidade. Com a chegada do verão, aumentam os fatores ambientais que favorecem a proliferação dessa praga, impactando diretamente a produtividade, o bem-estar animal e os custos operacionais das propriedades.
A mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) é um inseto hematófago semelhante à mosca doméstica, porém com comportamento mais agressivo. Sua picada dolorosa causa estresse intenso nos animais, interferindo no consumo alimentar, no ganho de peso e na produção de leite.
Condições climáticas favorecem a proliferação da mosca-dos-estábulos
De acordo com Gibrann Frederiko, médico-veterinário e promotor de vendas da Nossa Lavoura, o calor aliado à alta umidade cria o ambiente ideal para o desenvolvimento das larvas da mosca-dos-estábulos. “Materiais orgânicos em decomposição, como esterco, restos de ração e resíduos de silagem, tornam-se focos importantes de multiplicação da praga”, explica.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) também alerta que falhas no manejo de resíduos orgânicos estão entre os principais fatores associados ao aumento das infestações em sistemas de produção intensivos e semi-intensivos.
Impactos diretos na produtividade e na reprodução do rebanho
A infestação por mosca-dos-estábulos provoca prejuízos expressivos na pecuária de corte e leite. Entre os principais impactos estão a redução da produção de leite, queda no ganho de peso, comprometimento da eficiência reprodutiva e aumento dos custos com tratamentos e mão de obra.
Segundo dados técnicos da Embrapa, infestações severas podem reduzir em até 20% o desempenho produtivo dos bovinos, especialmente quando associadas a estresse térmico e manejo inadequado.
Sinais clínicos e comportamentais nos animais
Animais infestados pela mosca-dos-estábulos apresentam comportamentos defensivos característicos, como movimentação excessiva da cauda, batidas constantes das patas, sacudir da cabeça e tentativas frequentes de se esfregar em cercas e troncos.
Além disso, observa-se diminuição do consumo alimentar, perda de peso, lesões cutâneas causadas pelas picadas, anemia e queda do estado geral, especialmente em casos de alta infestação.
Manejo inadequado favorece a mosca-dos-estábulos
Entre os erros mais comuns no manejo, Frederiko destaca o acúmulo de esterco próximo aos currais, a falta de limpeza regular das instalações e o descarte incorreto de resíduos orgânicos. Esses fatores criam condições ideais para o ciclo reprodutivo da mosca-dos-estábulos, dificultando o controle da praga.
Controle integrado é a estratégia mais eficaz
O controle da mosca-dos-estábulos exige uma abordagem integrada. O uso isolado de inseticidas químicos tem eficácia limitada devido à resistência dos insetos, impactos ambientais e riscos à saúde animal e humana, conforme alertam estudos da Embrapa e diretrizes do MAPA.
A recomendação técnica envolve a combinação de limpeza diária dos ambientes, manejo correto dos resíduos, uso racional de inseticidas com rodízio de princípios ativos, armadilhas físicas e controle biológico com predadores naturais de ovos e larvas.
Tecnologias inovadoras auxiliam no combate à praga
Entre as soluções mais modernas para o controle da mosca-dos-estábulos estão os inseticidas biológicos à base de Bacillus thuringiensis, armadilhas inteligentes com liberação programada de produtos e o uso de drones e sensores para monitoramento de áreas de risco, tecnologias já adotadas em projetos apoiados pela Embrapa e por empresas do setor de saúde animal.
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