Nanotecnologia é aposta para tratar mastite

Edital busca laboratórios farmacêuticos para produzir em escala comercial antibiótico nanoestruturado, de comprovada eficácia no combate à mastite


Por Rubens Neiva

Um produto baseado na nanotecnologia é a mais nova aposta da pesquisa pecuária para enfrentar a mastite bovina – a inflamação da glândula mamária que afeta rebanhos leiteiros em todo o mundo. Acredita-se que uma em cada quatro vacas apresente a doença pelo menos uma vez ao longo de sua vida produtiva.

Desenvolvida pela Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora-MG, e a Universidade Federal de Ouro Preto, a tecnologia será oferecida em edital voltado a interessados na produção e comercialização desse novo medicamento. O objetivo é buscar parceiros junto à indústria farmacêutica interes¬sados em levar o produto ao mercado. O edital encontra-se publicado no site da Embrapa Gado de Leite (www.embrapa.br/gado-de-leite/licitacoes).

Embora o Brasil não possua números oficiais dos prejuízos causados pela mastite, estima-se que o impacto econômico alcance até 10% do faturamento das fazendas. O pesquisador Guilherme Nunes de Souza avalia que, somente nos Estados Unidos, onde as estatísticas sobre a questão estão mais avançadas, a mastite provoque perdas anuais da ordem de US$ 2 bilhões por ano devido à redução na produção, ao descarte do leite e de animais, e aos gastos com medicamentos e honorários veterinários.

Uma das respostas da pesquisa agropecuária a essas perdas pode estar na nanotecnologia, ciência que manipula partículas em escala microscópica (até um bilhão de vezes menor do que o metro) e tem revolucionado a farmacologia mundial. Nesse sentido, o pesquisador Humberto de Mello Brandão trabalha há 10 anos no desenvolvimento de nanoestruturas capazes de tornar mais eficiente a ação dos antibióticos contra a mastite.

Ele explica que nem todos os antibióticos conseguem atuar de forma ampla para combater os agentes que provocam a mastite. “Com o tratamento convencional, bactérias como o Staphylococcus aureus, grande responsável pela doença, costumam ser eliminadas fora das células fagocitárias, as de defesa do organismo, mas continuam vivas no espaço intra¬celular. Quando a célula fagocitária morre, a bactéria fica livre e volta a se proliferar no interior do úbere da vaca, dificultando a cura dos animais tratados”, revela.

Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 622, de setembro 2016

Posts Relacionados

Procura por búfalos impulsiona remates de primavera no Rio Grande do Sul

Oitava edição do evento da Ascribu e Santa Úrsula Remates será realizada em outubro, em Glorinha (RS), e entidade prevê nova oferta ainda na primavera...

Uma alternativa sustentável para o agro enfrentar majoração do adubo

Fernando Carvalho Oliveira* Os fertilizantes orgânicos derivados do lodo de esgoto sanitário, sustentáveis, seguros e que proporcionam muitos benefícios ao solo e às plantas, são uma opção importante para os...

Exposição Nacional do Gir Leiteiro retorna à ExpoLeite e encerra ranking da raça

Evento deve reunir cerca de 400 animais em pista, mais de 80 participantes no Torneio Leiteiro e pelo menos cinco leilões...