Produtores de leite se organizam em associação para enfrentar crise e desafios do setor no Paraná

Entidade criada durante o Show Rural 2026 pretende unificar a atividade, cobrar ações contra importações e desequilíbrios na cadeia e conter a saída de produtores diante de margens negativas

Produtores de leite de diferentes regiões do Paraná oficializaram, na última terça-feira (10), durante a 38ª edição do Show Rural Coopavel, em Cascavel, a criação da União Paranaense de Produtores de Leite. A entidade surge com o objetivo de representar institucionalmente o setor e articular iniciativas para enfrentar a crise que, segundo os pecuaristas, afeta a atividade há pelo menos três anos.
O ato de formalização contou com a presença do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso Nacional, deputado federal Pedro Lupion, além de lideranças de entidades ligadas ao agronegócio. Entre os participantes, prevaleceu a avaliação de que a organização coletiva é fundamental para reequilibrar a cadeia produtiva e evitar a saída definitiva de milhares de produtores.
Para Meysson Vetorello, uma das lideranças do movimento, o cenário projetado para 2026 mantém as mesmas dificuldades observadas ao longo de 2025. “Precisamos agir com rapidez. O quadro é o mesmo que afetou toda a atividade no ano passado”, afirmou.

Segundo ele, a criação da associação representa o primeiro passo para a construção de uma representação estadual consistente, nos moldes do que já ocorre em outros estados, com perspectiva futura de articulação em nível nacional.
Entre as principais prioridades estão a unificação do discurso do setor, a busca por maior equilíbrio nas margens ao longo da cadeia e a adoção de medidas que reduzam a volatilidade de preços, apontada como um dos principais fatores de instabilidade. Produtores relataram distorções na distribuição dos resultados, com rentabilidade concentrada em outros elos enquanto a produção opera no limite. “Estamos pagando para trabalhar. Recebemos cerca de R$ 2 por litro e o custo chega a R$ 2,40”, exemplificou Vetorello.
Também foram citados como entraves o volume de importações e a fragilidade da fiscalização de mercado. Os pecuaristas alertam que a bovinocultura de leite exige investimentos de longo prazo e estruturação gradual das propriedades. Nesse contexto, produtores que abandonam a atividade dificilmente retornam, o que pode levar a uma redução permanente da base produtiva do Estado caso não ocorram mudanças estruturais no ambiente de mercado.

Fonte:  O Presente Rural

Posts Relacionados

Santa Catarina tem a maior produtividade de leite do Brasil em 2025, aponta levantamento do IBGE

Santa Catarina liderou o ranking nacional de produtividade de leite em 2025, com uma média de 17,21 litros por vaca ao dia, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM),...

Zoetis anuncia Fabio Savoldi como novo diretor da Unidade de Negócios de Ruminantes e Equinos

Com mais de 30 anos de experiência em saúde animal, executivo reúne trajetória de liderança e amplo conhecimento do mercado pecuário brasileiro e latino-americano...

19ª Nacional do Guzerá destaca evolução da raça e anuncia vencedores

Visitantes do Brasil e de outros países acompanharam de perto a evolução da raça Guzerá durante os sete dias de competições da 19ª Exposição Nacional de Guzerá e Guzolando, que...