Com apoio da CNA e parceria do Cepea, solução busca ampliar previsibilidade de preços, proteger margens e impulsionar a competitividade da cadeia leiteira brasileira
Da redação – com informações da CNA
O setor lácteo brasileiro vive um momento considerado histórico para a profissionalização e modernização da atividade. Em evento realizado na quarta-feira (13), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, a StoneX Leite Brasil lançou oficialmente uma ferramenta inédita de hedge para lácteos no mercado nacional. Desenvolvida com apoio da CNA e parceria do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a solução chega ao mercado com a proposta de ampliar a previsibilidade de preços, reduzir os impactos da volatilidade e fortalecer a gestão financeira de toda a cadeia produtiva do leite.
A nova ferramenta permitirá que produtores rurais, cooperativas, laticínios, indústrias de alimentos, tradings, varejistas e demais agentes do setor tenham acesso a mecanismos modernos de proteção de margens e gerenciamento de riscos, modelo já consolidado em importantes cadeias globais do agronegócio.
Durante o lançamento, o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Jônadan Ma, afirmou que o momento representa uma mudança de patamar para o leite brasileiro. Segundo ele, a criação de instrumentos de previsibilidade sempre foi uma das principais demandas dos produtores. “Estamos vivendo uma nova era do leite. Estamos marcando história, e cada um pode dizer que fez parte desse momento”, destaca.
O dirigente ressaltou ainda que a volatilidade dos preços sempre foi um dos maiores obstáculos para o planejamento financeiro da atividade leiteira no Brasil, dificultando investimentos e comprometendo a sustentabilidade econômica das propriedades.“Como produtores de leite, passamos muitos anos tropeçando e cambaleando diante de um problema crônico do setor, que é a falta de previsibilidade”, afirma Ma.
Com a nova solução, o produtor passa a ter acesso a mecanismos que permitem antecipar preços e proteger receitas futuras, criando condições para decisões mais estratégicas e investimentos de médio e longo prazo.
Representando a StoneX, Glauco Monte destacou que a previsibilidade pode provocar no leite uma transformação semelhante à observada em outras cadeias agropecuárias, como a do milho. “Um dos fatores que ajudaram o crescimento do milho foi justamente a previsibilidade de preços proporcionada pelas cotações internacionais”, explicou.
O evento reuniu lideranças do agro nacional, presidentes de Federações de Agricultura e Pecuária estaduais, parlamentares, representantes de cooperativas, indústrias, produtores rurais e instituições ligadas ao setor. Na abertura, o vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, classificou o lançamento como um marco histórico para a entidade e para o agronegócio brasileiro. “A Confederação lutou todo esse tempo para chegarmos a este ambiente de previsibilidade”, afirmou.
Em seu discurso, Gedeão relembrou a evolução da agropecuária brasileira nas últimas décadas e ressaltou a importância econômica da atividade leiteira para o país. Segundo ele, o Brasil produz atualmente cerca de 35 bilhões de litros de leite por ano, conta com aproximadamente 1,2 milhão de produtores e movimenta cerca de R$ 70 bilhões em Valor Bruto da Produção Agropecuária.
O dirigente destacou ainda que a cadeia leiteira registrou crescimento superior a 50% nos últimos 20 anos, acompanhado por importantes ganhos de produtividade. “Isso se chama eficiência”, pontuou.
Gedeão Pereira também reforçou o papel da CNA no fortalecimento da competitividade do leite brasileiro e na busca por maior inserção internacional dos produtos lácteos nacionais.“Desde que o conheço, o presidente da CNA, João Martins, enfatiza a necessidade de apoiar o setor, elevar cada vez mais a qualidade dos produtos brasileiros e desbravar o mercado internacional”, disse.
A parceria com o Cepea garante à ferramenta uma base sólida de informações e indicadores econômicos utilizados há anos como referência pelo mercado lácteo brasileiro.

Para a pesquisadora do Cepea, Natália Grigol, o avanço da complexidade do setor torna indispensável o uso de instrumentos modernos de gestão de risco. “Tivemos uma maior complexidade no setor e, há muito tempo, pedimos mais previsibilidade. A comercialização sempre foi marcada por volatilidade e incerteza”, afirmou.
Segundo Natália, mercados mais eficientes dependem de transparência na formação de preços e de informações confiáveis para sustentar decisões produtivas e comerciais. “Os mercados mais maduros e eficientes dependem de informações de qualidade, transparência na formação dos preços e instrumentos capazes de reduzir as incertezas e apoiar as decisões produtivas e comerciais”, destacou.
A gerente da StoneX Leite Brasil, Marianne Tufani, explicou que o hedge surge como uma ferramenta essencial para garantir maior estabilidade financeira às empresas e produtores do setor. “O hedge surge como uma ferramenta essencial para transformar incerteza em investimentos e permitir que os agentes do setor foquem na sustentabilidade de seus negócios”, afirmou.

De acordo com Marianne, a atuação da StoneX será baseada em estratégias personalizadas, considerando o perfil operacional e financeiro de cada empresa. “Nosso papel é apoiar desde o produtor, a indústria até o varejo, com estratégias personalizadas que considerem a realidade de cada empresa e sua exposição ao mercado”, explicou.
Além do acesso às operações de hedge, os clientes também contarão com suporte consultivo especializado por meio dos programas IRMP (Integrated Risk Management Program) e Focus, que incluem análises de mercado, elaboração de estratégias, execução das operações e acompanhamento contínuo.
“Ao unir escala global, inteligência de mercado e conhecimento local, entregamos uma solução estruturada para fortalecer a tomada de decisão e promover maior estabilidade para toda a cadeia”, concluiu Marianne.