Obra de Dr. Paulo Roberto de Miranda Leite é atualizada e ampliada, reforçando seu papel como referência técnica e histórica para o desenvolvimento da raça Sindi no Brasil
Da redação
A trajetória de uma das mais importantes raças zebuínas adaptadas ao semiárido brasileiro ganhou um novo capítulo durante a 56ª Exposição Paraibana de Animais e Produtos Industriais (Expapi). Em uma noite marcada pelo reconhecimento à história, à pesquisa e ao desenvolvimento da pecuária nacional, foi lançada a terceira edição do livro “Sindi Gado Vermelho para o Semiárido”, de autoria do médico-veterinário e pesquisador Dr. Paulo Roberto de Miranda Leite.
A cerimônia de lançamento e sessão de autógrafos foi realizada no Slaviero Hotel, em Campina Grande (PB), reunindo criadores, técnicos, pesquisadores, lideranças do setor pecuário e representantes de entidades ligadas ao melhoramento genético animal. O evento integrou a programação oficial da 56ª Expapi e destacou a relevância da obra para a consolidação e expansão da raça Sindi no Brasil.
A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) marcou presença na solenidade por meio de seu presidente, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, do diretor jurídico, Carlos Henrique de Mendonça Pereira, e dos conselheiros consultivos Fernando Di Lorenzo, Nelson Frota e Roberto Góes. Durante o evento, Arnaldo Manuel foi homenageado pelos relevantes serviços prestados à pecuária zebuína e à valorização das raças adaptadas.
Segundo o presidente da ABCZ (foto), a nova edição reafirma a importância do livro como uma das principais referências para criadores, estudantes e profissionais que atuam com a raça. “Trata-se de uma obra muito importante, não só para a raça Sindi, mas para toda a pecuária zebuína. A nova edição, mais completa e atualizada que nunca, oferece um mergulho rico nesta raça tão especial que é o Sindi”, destacou.
Referência para gerações de criadores
Reconhecido como um dos maiores especialistas da raça Sindi no Brasil, Dr. Paulo Roberto de Miranda Leite construiu uma trajetória dedicada ao estudo, à divulgação e à valorização desse patrimônio genético adaptado às condições desafiadoras do semiárido brasileiro.
Conselheiro consultivo da ABCZ pelo estado da Paraíba, o autor é considerado uma das figuras centrais no processo de fortalecimento da raça no país. Sua obra acompanha a evolução do Sindi desde sua introdução no Brasil até a consolidação como uma alternativa eficiente para sistemas produtivos que demandam rusticidade, resistência e eficiência produtiva.
Para o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian, o legado do pesquisador transcende a publicação de livros e se confunde com a própria história da raça no Brasil.
“Dr. Paulo é um pilar da raça Sindi. Mesmo quando a raça ainda não tinha o reconhecimento nacional e internacional que merecidamente tem hoje, ele já tinha e propagava a convicção de que a raça era um patrimônio genético valioso, especialmente para o semiárido brasileiro, para tornar a pecuária bovina sustentável e produtiva. Dedicou sua vida ao estudo e divulgação do Sindi, produzindo obras técnicas que sempre serão referenciais para o desenvolvimento da raça”, ressaltou.
Conteúdo ampliado e atualizado
A terceira edição de “Sindi Gado Vermelho para o Semiárido” chega ao mercado significativamente ampliada. Durante a apresentação da obra, Ricardo de Miranda, filho do autor, explicou que o novo volume recebeu aproximadamente 100 páginas adicionais e passou por uma revisão completa de conteúdo.
O objetivo foi atualizar informações técnicas, incorporar novos conhecimentos sobre manejo, seleção genética e sistemas de produção, além de aprofundar temas relacionados à criação da raça em ambientes semiáridos.
Ricardo destacou que o livro é frequentemente considerado por criadores e especialistas como um verdadeiro manual da raça Sindi.
“É uma obra que muitos consideram o verdadeiro manual da raça. Além de reunir informações técnicas, traz um resgate histórico consistente sobre a introdução do Sindi no Brasil, com rigor documental e fidelidade aos fatos”, afirmou.
Além dos aspectos zootécnicos e produtivos, a publicação apresenta um panorama histórico detalhado da chegada da raça ao país, sua evolução genética e sua contribuição para a pecuária nacional, especialmente em regiões de clima adverso.
Influência direta na expansão da raça
O impacto da obra na formação de novos criadores foi um dos pontos destacados durante a cerimônia. Entre os depoimentos que emocionaram o público esteve o do pecuarista paraibano Gustavo Hybernon, que atribuiu ao livro o início de sua trajetória com a raça.
Segundo ele, a primeira edição, recebida ainda nos anos 2000, despertou seu interesse pelo Sindi e serviu como base para aprofundar os estudos sobre a raça.
“A gente cria Sindi justamente por causa desse livro. A primeira edição, que ganhei nos anos 2000, foi o meu primeiro contato com a raça Sindi. Foi quando comecei a estudar a raça e, depois, ingressamos na pecuária e nunca mais paramos. Foi graças a essa literatura que chegamos até aqui”, relatou.
O testemunho evidencia a influência da publicação não apenas como material técnico, mas também como instrumento de difusão de conhecimento e estímulo ao crescimento da raça em diferentes regiões do país.
Celebração da história e do futuro da raça Sindi
Também participou da solenidade o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Sindi, Orlando Procópio, reforçando o caráter institucional do evento e a importância da nova edição para a continuidade dos avanços obtidos pela raça nas últimas décadas.
A noite de lançamento transformou-se em uma celebração da trajetória do Sindi no Brasil e do trabalho desenvolvido por pesquisadores, criadores e entidades que contribuíram para consolidar a raça como uma alternativa estratégica para sistemas pecuários sustentáveis.
Mais do que uma atualização bibliográfica, a terceira edição de “Sindi Gado Vermelho para o Semiárido” reafirma o papel do conhecimento técnico como ferramenta fundamental para o desenvolvimento da pecuária brasileira, preservando a memória da raça e apontando caminhos para seu futuro em um cenário cada vez mais voltado à eficiência produtiva e à adaptação climática.